Renan cria pacote de bondades para escapar da crise

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Senador é alvo de 12 inquéritos no STF

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), definiu para os próximos dias uma agenda de votações e de iniciativas políticas de sua atribuição exclusiva para tentar ficar longe de temas desagradáveis e policiais que o envolvem. Alvo de 12 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), dos quais noves relativos à Operação Lava Jato, Renan incluiu na sua pauta de bondades a criação de uma comissão especial para encontrar uma fórmula legal de renegociação das dívidas dos estados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o alongamento em 10 anos para o prazo de quitação.

Renan também definiu para esta terça-feira (21) a votação, em plenário, dos projetos de lei que atualiza o Código Aeronáutico, a Lei do Supersimples e a definição final da Lei de Responsabilidade das Estatais – matéria modificada pela Câmara, mas que deverá sofrer nova intervenção de conteúdo, no Senado, para que sejam desfeitas as alterações operadas pelos deputados. A pauta definida por Renan agrada ao presidente interino Michel Temer.

Renan quer tratar de pautas que não sejam o pedido de sua prisão – feito há duas semanas pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, por envolvimento na Operação Lava Jato – e as delações premiadas do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, seu afilhado político, e que o acusam de receber propina por alguns anos.

Na sua agenda de bondades Renan marcou um jantar para a próxima terça-feira (28), na residência oficial, com diversos agentes políticos. Foram convidados membros do colégio de líderes partidários e do governo no Senado e no Congresso e presidentes de comissões e relatores de propostas para a área econômica, seara sob o comando do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O objetivo é definir as prioridades de projetos que ajudem a recuperar a economia e, ao mesmo tempo, sinalizar ao mercado que o Congresso está ajudando a reorganizar as contas públicas.

Outra pauta de Renan para o pacote de bondades é a recriação da comissão para discutir o pacto federativo. Este colegiado discutiria inclusive o que fazer com as mais de 20 mil obras federais inacabadas e já identificadas pelo Tribunal de Contas da União. “Existem R$ 200 bilhões de restos a pagar na execução orçamentária e não podemos continuar com este cemitério que continuará a crescer se não resolvermos este passivo e iniciarmos novas obras”, argumentou Renan.

 

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