Um homossexual foi assassinado a cada 28 horas no Brasil em 2013, diz pesquisa

Cindi Rios/Ascom/Uneb

Luiz Mott: "Policiais e delegados cada vez mais, sem provas, descartam a presença de homofobia em muitos desses ‘homocídios'"

Pelo menos 312 gays, lésbicas e travestis brasileiros foram assassinados em 2013, média de um homicídio a cada 28 horas, revela pesquisa feita pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). A entidade estima que 99% dos crimes foram motivados por homofobia. Apesar de apontar uma queda de 7,7% em relação a 2012, quando foram registradas 388 mortes, a pesquisa destaca que o número de assassinatos de homossexuais cresceu 14,7% nos últimos quatro anos.

Segundo o estudo, o Brasil segue como campeão mundial em homicídios de homossexuais: de cada cinco gays ou transgêneros assassinados no mundo, quatro são brasileiros. E os dados reunidos neste começo de ano apontam tendência de piora no quadro: em janeiro, 42 homossexuais foram assassinados, ou seja, um a cada 18 horas.

Leia a íntegra do relatório do Grupo Gay da Bahia

O relatório acusa os governos federal e estadual de promoverem “homofobia institucional”. No caso dos estados, por não garantirem a segurança nos espaços frequentados pela comunidade LBGT. Já o governo Dilma é responsabilizado por ter vetado a campanha do kit anti-homofobia, a pedido de parlamentares ligados a igrejas, e por não ter pressionado sua bancada aliada no Senado a aprovar a lei que torna crime a discriminação de homossexuais, o chamado PL da Homofobia.

A pesquisa mostra que Pernambuco (34 vítimas) e São Paulo são os estados onde mais LGBTs foram assassinados em 2013. Proporcionalmente, os estados mais perigosos foram Roraima e Mato Grosso. Já Manaus (com 12 crimes) e Cuiabá foram as capitais com o maior número de crimes homofóbicos. O Nordeste segue como região mais violenta para esse segmento, com 43% dos assassinatos, seguido pelo Sudeste e pelo Sul, com 35%. Os estados menos violentos para gays e transgêneros foram o Acre, que não registrou crime contra homossexuais nos últimos três anos, Amapá, com uma ocorrência, e Espírito Santo, com duas.

Para o coordenador da pesquisa, o antropólogo Luiz Mott, o número de mortes de homossexuais em 2013 foi ainda maior do que o grupo conseguiu levantar. “A subnotificação destes crimes é notória, indicando que tais números representam apenas a ponta de um iceberg de violência e sangue, já que nosso banco de dados é construído a partir de notícias de jornal, internet e informações enviadas pelas Ongs LGBT. A realidade deve certamente ultrapassar em muito tais estimativas, sobretudo nos últimos anos, quando policiais e delegados cada vez mais, sem provas, descartam a presença de homofobia em muitos desses ‘homocídios”, explica o fundador do GGB.

De acordo com a pesquisa, os gays lideram as estatísticas de vítimas: 186 (59%), seguidos de 108 travestis (35%), 14 lésbicas (4%), dois bissexuais (1%) e dois heterossexuais (1%) confundidos com homossexuais. Também foram incluídos na relação dez suicidas gays que, segundo a entidade, não suportaram a pressão homofóbica. Apenas um quarto dos acusados de terem cometido o crime foi identificado nos inquéritos policiais, segundo o levantamento.

Leia a íntegra do relatório do Grupo Gay da Bahia

Outros textos sobre homofobia

Leia mais sobre direitos humanos

Nosso jornalismo precisa da sua assinatura

Continuar lendo

Publicidade Publicidade