Raquel Dodge determina que presos da Skala sejam ouvidos outra vez, agora na presença de procuradores

Carlos Moura/STF

Com os novos depoimentos, os investigadores querem identificar possíveis contradições nas declarações já prestadas entre quinta e sexta-feira

 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou que os presos na Operação Skala que estão detidos na sede da Polícia Federal, em São Paulo, sejam novamente ouvidos, só que dessa vez com a presença de integrantes da Procuradoria-Geral da República. Conforme divulgado pelo jornal O Globo, a maioria dos depoimentos ocorreu na quinta-feira (29), quando a operação foi deflagrada. Os procuradores só chegaram a São Paulo no final do dia e não acompanharam as declarações.

Com os novos depoimentos, os investigadores querem identificar possíveis contradições nas declarações já prestadas entre quinta e sexta-feira (30). Serão ouvidos José Yunes e o coronel João Baptista Lima, amigos do presidente Michel Temer (MDB); o ex-ministro Wagner Rossi e seu ex-assessor Milton Hortolan; Antonio Celso Grecco, dono da Rodrimar; além de Eduardo Luiz de Brito Neves, Maria Eloisa Adenshon Brito Neves, Carlos Alberto Costa e Carlos Alberto Costa Filho.

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Atendendo ao pedido do Ministério Público Federal (MPF), a PF já está colhendo os novos depoimentos neste sábado (31). Ontem, a defesa de ex-coronel Lima alegou que ele não tinha condições para depor. Na quinta-feira (29), ao ser levado pela PF, Lima passou mal e foi levado ao hospital.

A Operação Skala foi deflagrada no âmbito do inquérito que investiga suposta concessão de vantagens a empresas portuárias em troca de propina na edição do Decreto dos Portos, assinado por Temer em maio de 2017. As ordens de prisão valem por cinco dias.

Amigos do presidente

O empresário e advogado José Yunes é amigo de Temer há mais de 50 anos. Foi um assessor de confiança do presidente, com sala no terceiro andar do Planalto, o mesmo do chefe. Demitiu-se do cargo em dezembro de 2016, quando um executivo da Odebrecht afirmou em delação ter entregue dinheiro vivo em seu escritório, para que fosse repassado ao presidente.

Ex-coronel da Polícia Militar, Lima é apontado pela PGR, com base na delação da JBS, como um dos intermediários de propina que supostamente seria paga ao presidente no caso do decreto de portos. Lima é dono da empresa de engenharia e arquitetura Argeplan. A Polícia Federal tenta ouvir o ex-coronel desde junho de 2017. Ele já havia sido intimado por duas vezes e nas duas não compareceu alegando problemas de saúde.

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