Dodge defende rejeição do pedido de Geddel para saber quem denunciou ‘bunker’ com R$ 51 milhões

Agência Brasil

Dodge disse que a revelação do denunciante deixaria a pessoa em risco

 

Em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a rejeição do pedido do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) para ter acesso ao número de telefone que fez a ligação anônima que denunciou o ‘bunker’ com R$ 51 milhões na Bahia.  Para a procuradora-geral da República, a revelação pode colocar o denunciante em situação de grave risco, considerando o contexto de que se trata de uma “poderosa organização criminosa”.

“Registre-se, por oportuno, que a identificação das pessoas que forneceram indícios à polícia — considerado o contexto de uma investigação de macrocorrupção, lavagem de dinheiro milionária e poderosa organização criminosa formada por pessoas tão influentes politicamente — pode colocá-las em situação de grave risco pessoal, razão também a sustentar a denegação do primeiro pedido (Protocolo n° 65872). Também por estas circunstâncias, Geddel Quadros Vieira Lima encontra-se e deve ser mantido preso”, disse em sua decisão.

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Além disso, os advogados de Geddel pleitearam a identidade do agente que atendeu a ligação no dia 14 de julho deste ano, bem como o acesso à perícia das impressões digitais encontradas nos banheiros e nas caixas de mala recolhidas no apartamento. Raquel Dodge concordou que Geddel tenha acesso ao material que foi recolhido no apartamento e que permitiu a identificação das digitais do próprio ex-ministro e de outras pessoas envolvidas no caso, e disse ainda que ele tem o direito de indicar um assistente técnico para atuar como perito no processo.

O pedido foi realizado ao ministro Edson Fachin, do STF, para que determine à PF o repasse das informações. Geddel foi preso na Operação Tesouro Perdido desde o dia 8 de setembro, após a polícia identificar impressões digitais do peemedebista em cédulas apreendidas no “bunker”. Antes, no entanto, o ex-ministra já cumpria prisão domiciliar.

Geddel havia sido preso em 4 de julho, acusado de tentativa de obstrução de Justiça em meio às ações da Operação Cui Bono. Uma semana depois, por meio de habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, passou para a prisão domiciliar. Em seu luxuoso apartamento, permaneceu sem tornozeleira eletrônica. O dispositivo estava em falta no estado.

Além das digitais, a Polícia Federal reuniu outros indícios de que o ex-ministro é o dono da fortuna guardada em caixas e malas. O proprietário do imóvel e outra testemunha confirmaram que o apartamento estava sob os cuidados dele. Também foi identificada uma pessoa suspeita de ajudar Geddel a transportar o dinheiro.

Após 14 horas de contagem em máquinas, a PF concluiu que havia ali R$ 42.643.500 e US$ 2.688.000. Feita a conversão, a quantia apreendida totaliza R$ 51.030.866,40.

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