PT articula aliança com o “golpista” PMDB em pelo menos seis estados

Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Renan e Renan Filho participaram da caravana de Lula pelo Nordeste em agosto. “Ele me ajudou a governar esse país”, disse o ex-presidente a respeito do senador

 

Depois de acusar o PMDB de ser “golpista” pela destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, o PT flerta com os peemedebistas em ao menos seis estados, informa o jornal O Globo. Entre eles, Alagoas, de Renan Calheiros (PMDB), e o Ceará, de Eunício Oliveira (PMDB). Os dois votaram a favor do impeachment de Dilma quando ela foi afastada definitivamente da Presidência, por 61 votos a 20, em 30 de agosto do ano passado. Também há negociações de alianças entre o PT e o PMDB em Minas Gerais, Piauí, Sergipe e Paraná.

Caso seja candidato ao Senado por Minas, como se tem ventilado, Dilma pode ter de subir ao mesmo palanque do PMDB. O partido apoia o governador Fernando Pimentel (PT), candidato à reeleição, e tenta emplacar o deputado estadual Adalclever Lopes (PMDB) como vice.

Adalclever é filho do ex-ministro Mauro Lopes (Aviação Civil), que se deixou o cargo para retornar à Câmara e votar a favor do impeachment da ex-chefe. Mas o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), postula candidatura ao governo estadual e se opõe à aliança com os petistas.

O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), diz que há conversas informais nos estados onde os dois partidos têm boa relação mesmo após o impeachment.

A aliança entre petistas e “golpistas” é vista com simpatia pelos dois lados: o ex-presidente Lula quer candidatos fortes nos estados para impulsionar sua candidatura ao Palácio do Planalto; já para o PMDB, em alguns estados, é importante não contrariar a popularidade do ex-presidente. No Nordeste, Lula chega a ter mais de 50% das intenções de voto.

Reposicionamento estratégico

Uma decisão do Diretório Nacional do PT proíbe formalmente alianças do partido com legendas que apoiaram o impeachment. Mas petistas influentes têm defendido a derrubada da proibição. É o caso do ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho, presidente estadual do PT em São Paulo.

“Seguramente o diretório vai revisitar esse tema e vai saber trabalhar a complexidade momentânea da política brasileira. Reposicionamentos eventuais podem acontecer, mas não vai ser um ‘liberou geral’. Mas o PT deve permitir aliança com partidos que apoiaram o ‘golpe’”, disse Marinho, amigo de Lula, ao jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo como O Globo, Eunício busca novo mandato no Senado com o apoio do governador do Ceará, Camilo Santana (PT). Em Alagoas, Renan e o governador Renan Filho (PMDB) também articulam uma dobradinha com Lula.

Em agosto, durante a carava do ex-presidente pelo Nordeste, os dois trocaram elogios públicos em seus encontros. Em entrevista a rádios universitárias de Pernambuco, Lula afirmou que esse tipo de acordo é necessário e que só se elegeu em 2002 por dialogar com setores além da esquerda. “Se você não faz aliança, as pessoas vão para outro lado, aí dificulta muito”, disse. “O Renan pode ter todos os defeitos. Agora, o Renan me ajudou a governar esse país”, acrescentou. “Se ele cometeu algum erro, eu sou da opinião de que todo mundo é inocente até que se prove o contrário. Se eu quero para mim a inocência até que provem o contrário, vou querer para os outros também.”

 

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