Presos na Lava Jato querem apoio do PT

Divulgação/Agência Brasil

Solidariedade unânime: PT diferencia Vaccari dos outros presos. Argumento é que ex-tesoureiro não embolsou os recursos dos quais é acusado de ter operado

Os três políticos ligados ao Partido dos Trabalhadores e presos pela Operação Lava Jato, João Vaccari Neto, José Dirceu e André Vargas, querem que a legenda assuma institucionalmente a responsabilidade pelos desvios na Petrobras. A ideia ganhou força na última quinta-feira (23), quando a sede do partido em São Paulo foi alvo de ação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF). De acordo com matéria publicada pelo Estadão na manhã deste domingo (26), nos últimos dias dirigentes passaram a defender internamente que o PT avalie a proposta na próxima reunião do diretório nacional, marcada para 19 e 20 de julho.

Em conversas com parlamentares petistas que foram visitá-lo na carceragem da PF em Curitiba, Vaccari encaminhou a questão ao partido. O ex-tesoureiro da sigla argumenta que o alvo final da Lava Jato e operações derivadas não é sua pessoa física, é o PT enquanto instituição. O fato de a sede da legenda ter sido ocupada pela PF na quinta-feira reforça o argumento dos defensores da tese. Preso há um ano e dois meses condenado a 24 anos de detenção, o ex-tesoureiro tem se queixado do imobilismo do PT diante de sua situação. Vaccari diz não ver uma saída e teme novas condenações. A alguns companheiros afirmou sentir-se “abandonado”.

Apesar de Vaccari não ter expressado aos companheiros intenção de fazer delação premiada, as queixas levam preocupação à direção petista. Na última reunião da executiva nacional, em maio, o presidente do partido, Rui Falcão, pediu que os parlamentares petistas intensifiquem as “visitas humanitárias” ao ex-tesoureiro. Ao menos quatro deputados estiveram em Curitiba desde então. Um cronograma de visitas está sendo elaborado pela direção. Nas próximas semanas um grupo de senadores deve ir ao encontro de Vaccari.

Ainda de acordo com a matéria, integrantes do PT que não quiseram se identificar afirmaram que Dirceu e Vargas também enviaram sinais no mesmo sentido. O partido, no entanto, tem diferenciado Vaccari dos outros dois presos. O argumento é que o ex-tesoureiro não embolsou os recursos dos quais é acusado de ter operado. A solidariedade a ele é quase unânime no PT.

Operação Custo Brasil

A cobrança é para que o PT diga formalmente que os desvios investigados pela Lava Jato foram feitos em nome da legenda e não por iniciativa pessoal de filiados. Nas conversas com parlamentares, Vaccari sugeriu que a admissão venha acompanhada pela defesa da necessidade de uma reforma no sistema eleitoral.Não existe uma fórmula para colocar a ideia em prática nem a garantia de que a proposta possa beneficiar pessoalmente os petistas presos.

A cobrança de Vaccari levou duas questões à legenda. A primeira, ainda sem resposta, é se a admissão de responsabilidade é conveniente ao PT ou pode implicar dirigentes que até agora passaram ilesos. A segunda é se o endereço final da Lava Jato é realmente a sigla. ]

 

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Leia a íntegra divulgada pelo Estadão

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