País só sairá da crise com educação cívica e política, diz analista

Para Antônio Augusto de Queiroz, do Diap, é precisa deixar mentira e ódio de lado para buscar saídas convergentes no enfrentamento das crises política e econômica e da corrupção. Assunto é tema do Diálogos 2, nesta sexta-feira. Participe

 

Abatido pela "pós-verdade", brasileiro não enxerga avanços institucionais e perde a crença na política, avalia diretor do Diap

 

O analista político Antônio Augusto de Queiroz conhece como poucos os bastidores do Congresso Nacional. Diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Toninho, como é mais conhecido, convive diariamente com as articulações políticas e legislativas há quase 40 anos. Na visão dele, o país avançou nos últimos anos na adoção de mecanismos de controle e transparência dos gastos públicos. Mas perdeu a capacidade de discutir e buscar saídas convergentes para temas que interferem de maneira impactante na sociedade, como as crises política e econômica e a corrupção. Esses três assuntos serão discutidos, a partir das 14h, na sede do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, na segunda edição do Diálogos Congresso em Foco. Você está convidado a participar. A entrada é franca.

Para Toninho, o enfrentamento dessas questões depende, inicialmente, de investimento em educação política e cívica. “O brasileiro perdeu a capacidade de relativizar, foi completamente envolvido por essas artimanhas do período pós-verdade, em que os fatos, os argumentos e a verdade ficam em segundo plano, frente a outras formas de provocar reações, os comportamentos mais primitivos do ser humano”, avalia o diretor do Diap, uma das entidades apoiadoras do Diálogos 2.

“É preciso investir na formação cívica. A desqualificação da política é uma tragédia. Todas as conquistas civilizatórias em direitos civis e políticos, sociais, econômicos, culturais, difusos, coletivos, todos foram produtos de decisão política. Não existe outra forma de organizar e resolver de forma pacífica as contradições da sociedade se não for por meio da política”, alerta. Leia a íntegra da entrevista dele ao Congresso em Foco

Essa perda na capacidade de análise faz, segundo ele, com que o brasileiro não perceba, por exemplo, que os sucessivos casos de corrupção que dominam o noticiário são também resultado de um avanço da legislação e das instituições. Mas isso não resolve o problema, admite. “Para poder contribuir e combater a corrupção é preciso corrigir os ralos por meio dos quais se faz essa prática da corrupção. Infelizmente isso não acontece no Brasil, mas a fulanização. Você prende, condena a pessoa, mas não fecha a brecha que deu aquela ação delituosa. Prende um corrupto hoje, aparece outro amanhã.”

Mudança cultural

Na avaliação do diretor do Diap, o enfrentamento à corrupção também passa por mudança cultural e por uma reforma política que barateie as campanhas eleitorais, garanta igualdade de condições aos candidatos e unidade programática entre os partidos.

“É preciso resgatar a ideia de que o eleitor é o titular do poder. Quando ele delega a alguém para que, em seu nome, possa representá-lo, legislar, realocar recurso do orçamento, administrar município ou estado, esse eleitor o faz com base em programa, exigência de prestação de contas e alternância de poder.”

Já a superação da crise econômica passa, na opinião de Toninho, por ajustes nas contas públicas, inclusive com mudanças nas regras da Previdência. O problema, segundo ele, é que as medidas defendidas pelo governo punem os assalariados e preserva quem tem mais dinheiro.

“Todo mundo reconhece que há necessidade de ajuste. Mas esse ajuste tem de envolver todos os setores do país. Cada um tem de dar a sua cota de sacrifício proporcional à sua capacidade. Infelizmente, o que está sendo feito é escolher o que vive de salário, de benefício previdenciário ou depende de prestações do Estado como variável do ajuste. É inaceitável fazer ajuste botando o mais pobre para pagar o pato e preservar o mais rico”, critica.

Diálogos

O Diap faz parte das instituições e entidades participantes do Diálogos Congresso em Foco 2, iniciativa que aposta na troca de ideias como caminho para o país sair da profunda crise em que se encontra. Em 2017, o fórum de discussões entra em seu segundo ano na expectativa de tratar de temas como a formação política da sociedade – e, nesse processo, o papel dos meios de comunicação –, medidas de combate à corrupção e ao desemprego, a gestão das finanças públicas etc.

Neste espaço, aberto à participação de todos, revezam-se questões consideradas cruciais para a superação dos entraves à retomada do crescimento econômico, ao aprimoramento da democracia e dos costumes políticos. Participe do debate, deixando registrada a sua opinião por meio de comentários em nosso site, na página do Diálogos no Facebook ou enviando suas contribuições em texto, vídeo ou áudio para o e-mail dialogos@congressoemfoco.com.br.

“Desqualificação da política é uma tragédia”, afirma diretor do Diap

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