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O script – o que une nações sul-americanas em tempos de “golpe”

“Roteiro executado na Venezuela, repetido no Brasil, é agora ensaiado no Equador. O script é o mesmo: o perdedor não reconhece a própria derrota, alega fraude e começa um processo de construção de uma crise”

No inicio de novembro de 2014, logo após Dilma ter sido eleita e ainda ​sem ter tomado posse para o segundo mandato, assinei o artigo “Após a derrota nas eleições, a ressaca e golpismo”​.

Naquele texto, ​afirmo que na reta final da campanha houve manobras e mentiras de Aécio para ​tentar ​se eleger. Na ocasião​,​ citei duas mentiras para demonstrar ​a afirmativa: a criminosa capa da revista Veja e a fajuta pesquisa divulgada pelo Instituto Veritá. Matérias desmentidas dias depois.

No referido artigo​​ também registro que, em 1º de novembro de 2014, ocorreram em São Paulo, Brasília e Curitiba os primeiros atos a favor do golpe de Estado. Porém​,​ antes destes primeiros atos, o PSDB, agora comprovadamente um partido fascista (construiu, junto com os principais veículos de comunicação, o ódio e parte da violência que setores do nosso povo sofre no momento) pediu a recontagem dos votos.

Não bastasse isso, posteriormente, após Dilma ser diplomada como ​p​residenta eleita​,​ o PSDB pediu ao isento Tribunal Superior Eleitoral, no momento presidido pelo juiz tucano Gilmar Mendes​,​ a cassação da candidatura.

O expediente do PSDB/Aécio de não reconhecer o resultado eleitoral de 2014 foi o mesmo usado pela direita da Venezuela, que em 2013 não reconheceu a vitória de Nicolás Maduro. Os partidos derrotados na Venezuela, representado por Capriles, pedi​ram​ a recontagem dos votos e, concomitantemente, pass​aram​ a convocar, junto com a mídia golpista do país, manifestações de rua (contra Maduro) e a boicotar economicamente o país. Resultado: a Venezuela vive uma grave crise econômica e instabilidade pol​í​tica e social.

Pedro França/Agência Senado

Dilma, no final de agosto, quando foi impedida no plenário do Senado

Há que se registrar que, na tentativa de golpe contra Maduro, alguns probos senadores brasileiros foram até a Venezuela levar solidariedade à oposição golpista daquele país. Como ficaram retidos ​em ​um engarrafamento e por um protesto popular​,​ voltaram culpando a Dilma.

 

 

Entre os probos senadores estava Aécio Neves – que​,​ um dia depois de voltar da Venezuela​,​ declarou: “Nós vamos exigir é uma posição dura do governo brasileiro. Se não [ocorrer], nós vamos, do ponto de vista político, dentro do Congresso, fazer as retaliações necessárias em defesa da democracia”. É a hipocrisia e o discurso hipócrita, pois aqui no Brasil Aécio atuava e atua contra a democracia.

No Brasil, Aécio do PSDB​,​ junto com os demais partidos (PMDB, PP, PTB, PSB, PSC, PRB, PPS, PSD, PR, DEM, Solidariedade, PROS, PV e outros penduricalhos) de direta trabalharam a favor e aplicaram o golpe. Hoje, graças a eles, o Brasil vive sua pior crise econômica, agravada pela crise pol​í​tica, social e institucional. Tão grave crise que já gerou 13,5 milhões de desempregados e enorme incerteza sobre o nosso futuro.

O roteiro executado na Venezuela, repetido no Brasil, onde deu certo, é agora ensaiado para ser aplicado no Equador. O script é o mesmo: o perdedor, banqueiro Guillermo Lasso, não reconhece a própria derrota, alega fraude e começa um processo de construção de uma crise. Se tudo andar como planejado, chegam ao golpe de Estado.

Há também outro script – que​,​ como laboratório, foi aplicado em Honduras e no Paraguai​. ​O roteiro envolve o perdedor, a mídia, o poder econômico, o parlamento, o judiciário e o silencio das principais po​tências do mundo, com posterior reconhecimento do governo golpista. Nesses três países​​ deu certo.

No Equador, o senhor Lasso já deu os primeiros passos na construção do golpe, construção que terá o apoio dos golpistas brasileiros, ao afirmar: “Senhor Correa, não brinque com fogo. Não tente os cidadãos equatorianos. Aqui é gente que não tem medo. Vamos enfrentá-lo e seguir enfrentando”.

Chamou também seus eleitores – como fez Capriles na Venezuela e Aécio no Brasil – para irem às ruas.

O derrotado Lasso disse que já informou “as pretensões de fraude” ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro. Hoje​, Almagro é um homem a serviço dos EUA, como todos os golpistas da Venezuela e do Brasil.

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Sobre o autor

Dr. Rosinha

Dr. Rosinha

* Médico, com especialização em Pediatria, Saúde Pública e Medicina do Trabalho, destacou-se como líder sindical antes de se eleger vereador, deputado estadual e deputado federal. Também foi presidente do Parlamento do Mercosul (Parlasul). Exerce o quarto mandato na Câmara dos Deputados, pelo PT do Paraná.

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