Na maior crise hídrica da história de Brasília, Senado lava paredes com jatos d’água

Reprodução

Segundo o Senado, não se trata apenas de limpeza das paredes, mas de uma obra para recuperação da fachada de concreto aparente

Em meio à maior crise hídrica já vista no Distrito Federal, funcionários do Senado passaram cerca de cinco horas tentando tirar o lodo das paredes do prédio nessa quinta-feira (16). A faxina ocorreu próxima à ala em frente ao gabinete dos parlamentares, onde há um extenso jardim.

Os servidores contaram ao Congresso em Foco que a lavagem começou às 9h30 e seguiu ininterruptamente até as 12h. Depois, retornou às 13h e foi até as 16h. Em nota, a assessoria do Senado explicou que não se trata simplesmente de uma ação de limpeza das paredes, mas sim de uma “obra de engenharia que visa à recuperação da fachada de concreto aparente”. A restauração custou ao todo R$ 728 mil e deve continuar até julho.

O Senado justifica que “desde a construção do Anexo II e do Prodasen, nas décadas de 70 e 80, a fachada dos edifícios nunca sofreu ações de manutenção o que compromete os elementos estruturais da edificação, por desgaste da camada superficial do concreto, ocasionando infiltração e corrosão das armaduras e crescimento de fungos e algas”. Afirma ainda que “essa etapa é indispensável para o tratamento de impermeabilização e já está em fase adiantada de execução”.

Desde janeiro, moradores do Distrito Federal estão em um regime forçado de economia de água. O racionamento impõe semanalmente um dia de corte no abastecimento de água e outros dois para que o sistema se estabilize. A medida já atinge 80% dos brasilienses. Nem mesmo prédios do Tribunal de Contas da União e da Procuradoria-Geral da República escapam do racionamento, tampouco as residências oficiais da Câmara e do Senado.

Por questão de “segurança nacional”, a Praça dos Três Poderes é poupada do racionamento de água, assim como os hospitais públicos. Segundo a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), as sedes do Judiciário, Legislativo e Executivo federal são geridas pela União e, por isso, não podem ser incluídas no rodízio.

O Senado aprovou, ainda em 2015, o Plano de Gestão de Logística Sustentável (PGLS), que estabelece as diretrizes do manejo e uso adequado dos recursos ambientais nas dependências da instituição. “Ano após ano, a instituição tem diminuído seu consumo de água a ponto de ter economizado mais de 130 milhões de litros no ano de 2016 em relação ao ano de 2012. A redução é resultado do esforço cotidiano para evitar o desperdício e racionalizar o consumo”, diz em nota a assessoria da Casa. Entre as iniciativas tomadas para reduzir os gastos com água, o Senado cita a eliminação da lavagem de carros oficiais, a instalação de torneiras econômicas e o aproveitamento da água da chuva.

Veja as imagens da lavagem no Senado:

Crise hídrica

O rodízio é uma das ações adotadas pelo governo de Brasília para assegurar a segurança hídrica no DF. Há outras, como a cobrança da tarifa de contingência, a restrição no horário para captação por caminhões-pipa e a orientação para estabelecimentos como lava-jatos. Além disso, foi feito acordo com agricultores para restringir o uso de irrigadores e determinada a redução do consumo de água em 10% nos órgãos do governo de Brasília.

O Executivo local trabalha ainda para agilizar obras na área. De maneira emergencial, há um projeto de curto prazo para captar água do Lago Paranoá. O Ministério da Integração Nacional já disponibilizou R$ 55 milhões para a obra. Outras intervenções são as obras na represa do Bananal e a construção de sistema de captação e distribuição na Barragem Corumbá 4.

Leia a íntegra da nota do Senado:

Ciente de sua responsabilidade ambiental, o Senado Federal tem atuado fortemente para reduzir seu consumo de água nos últimos anos e, nos últimos meses, intensificou suas ações devido à crise hídrica enfrentada pelo Distrito Federal. Ano após ano, a Instituição tem diminuído seu consumo de água a ponto de ter economizado mais de 130 milhões de litros no ano de 2016 em relação ao ano de 2012. A redução é resultado do esforço cotidiano para evitar o desperdício e racionalizar o consumo.

Em relação ao episódio retratado no vídeo em questão, trata-se da realização de uma obra de engenharia que visa à recuperação da fachada de concreto aparente. Não é simplesmente uma ação de limpeza das paredes. Desde a construção do Anexo II e do Prodasen, nas décadas de 70 e 80, a fachada dos edifícios nunca sofreu ações de manutenção o que compromete os elementos estruturais da edificação, por desgaste da camada superficial do concreto, ocasionando infiltração e corrosão das armaduras e crescimento de fungos e algas.

O serviço iniciado pela empresa Essencial Engenharia visa promover a impermeabilização do substrato da camada de concreto dos edifícios, evitando com isso ataques decorrentes das intempéries à estrutura da fachada. Como parte do processo de recuperação da fachada, está prevista a realização da etapa de hidrojateamento em alta pressão nas paredes, técnica que reduz drasticamente o consumo de água. Essa etapa é indispensável para o tratamento de impermeabilização e já está em fase adiantada de execução. A obra tem previsão e término em julho de 2017 e o contrato não será renovado.

O contrato com a empresa Essencial Engenharia pode ser consultado no link abaixo:

http://www.senado.leg.br/transparencia/liccontr/contratos/contrato.asp?nc=20160132&cc=3840

O Senado Federal aprovou, ainda em 2015, o Plano de Gestão de Logística Sustentável – PGLS, que estabelece as diretrizes do manejo e uso adequado dos recursos ambientais nas dependências da instituição. No que diz respeito à questão da água, a Casa desenvolve ações para garantir e aprimorar o uso racional do bem e tem adotado soluções tecnológicas voltadas à redução do consumo, não só por meio da aplicação de soluções mais econômicas, como também pela sensibilização dos servidores e colaboradores, em especial, da equipe de limpeza e conservação das instalações. Nesse particular, foram implementadas ou estão em fase de implantação as seguintes ações:

Individualização do consumo de água;

Aproveitamento de água de chuva;

Reforma de reservatórios de água potável;

Reformulação da rede de águas pluviais;

Instalação de torneiras econômicas;

Instalação de bacias econômicas;

Instalação de purificadores de água;

Monitoramento automatizado de medidores e de sistemas;

Redução do consumo de água; e

Eliminação da lavagem de carros particulares nas dependências do Senado

Federal.

O PGLS pode ser consultado na íntegra, no link:

http://www12.senado.leg.br/institucional/programas/senado-verde/pdf/pgls.pdf”

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