Quinta, 30 de Março de 2017

Na maior crise hídrica da história de Brasília, Senado lava paredes com jatos d’água

Enquanto 80% dos brasilienses sofrem com racionamento de água, lavagem para revitalização de fachada do Senado se estende por mais de cinco horas em um único dia. Obras vão até julho, informa assessoria. Veja em foto e vídeo

Reprodução

Segundo o Senado, não se trata apenas de limpeza das paredes, mas de uma obra para recuperação da fachada de concreto aparente

Em meio à maior crise hídrica já vista no Distrito Federal, funcionários do Senado passaram cerca de cinco horas tentando tirar o lodo das paredes do prédio nessa quinta-feira (16). A faxina ocorreu próxima à ala em frente ao gabinete dos parlamentares, onde há um extenso jardim.

Os servidores contaram ao Congresso em Foco que a lavagem começou às 9h30 e seguiu ininterruptamente até as 12h. Depois, retornou às 13h e foi até as 16h. Em nota, a assessoria do Senado explicou que não se trata simplesmente de uma ação de limpeza das paredes, mas sim de uma “obra de engenharia que visa à recuperação da fachada de concreto aparente”. A restauração custou ao todo R$ 728 mil e deve continuar até julho.

O Senado justifica que “desde a construção do Anexo II e do Prodasen, nas décadas de 70 e 80, a fachada dos edifícios nunca sofreu ações de manutenção o que compromete os elementos estruturais da edificação, por desgaste da camada superficial do concreto, ocasionando infiltração e corrosão das armaduras e crescimento de fungos e algas”. Afirma ainda que “essa etapa é indispensável para o tratamento de impermeabilização e já está em fase adiantada de execução”.

Desde janeiro, moradores do Distrito Federal estão em um regime forçado de economia de água. O racionamento impõe semanalmente um dia de corte no abastecimento de água e outros dois para que o sistema se estabilize. A medida já atinge 80% dos brasilienses. Nem mesmo prédios do Tribunal de Contas da União e da Procuradoria-Geral da República escapam do racionamento, tampouco as residências oficiais da Câmara e do Senado.

Por questão de “segurança nacional”, a Praça dos Três Poderes é poupada do racionamento de água, assim como os hospitais públicos. Segundo a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), as sedes do Judiciário, Legislativo e Executivo federal são geridas pela União e, por isso, não podem ser incluídas no rodízio.

O Senado aprovou, ainda em 2015, o Plano de Gestão de Logística Sustentável (PGLS), que estabelece as diretrizes do manejo e uso adequado dos recursos ambientais nas dependências da instituição. “Ano após ano, a instituição tem diminuído seu consumo de água a ponto de ter economizado mais de 130 milhões de litros no ano de 2016 em relação ao ano de 2012. A redução é resultado do esforço cotidiano para evitar o desperdício e racionalizar o consumo”, diz em nota a assessoria da Casa. Entre as iniciativas tomadas para reduzir os gastos com água, o Senado cita a eliminação da lavagem de carros oficiais, a instalação de torneiras econômicas e o aproveitamento da água da chuva.

Veja as imagens da lavagem no Senado:

Crise hídrica

O rodízio é uma das ações adotadas pelo governo de Brasília para assegurar a segurança hídrica no DF. Há outras, como a cobrança da tarifa de contingência, a restrição no horário para captação por caminhões-pipa e a orientação para estabelecimentos como lava-jatos. Além disso, foi feito acordo com agricultores para restringir o uso de irrigadores e determinada a redução do consumo de água em 10% nos órgãos do governo de Brasília.

O Executivo local trabalha ainda para agilizar obras na área. De maneira emergencial, há um projeto de curto prazo para captar água do Lago Paranoá. O Ministério da Integração Nacional já disponibilizou R$ 55 milhões para a obra. Outras intervenções são as obras na represa do Bananal e a construção de sistema de captação e distribuição na Barragem Corumbá 4.

Leia a íntegra da nota do Senado:

Ciente de sua responsabilidade ambiental, o Senado Federal tem atuado fortemente para reduzir seu consumo de água nos últimos anos e, nos últimos meses, intensificou suas ações devido à crise hídrica enfrentada pelo Distrito Federal. Ano após ano, a Instituição tem diminuído seu consumo de água a ponto de ter economizado mais de 130 milhões de litros no ano de 2016 em relação ao ano de 2012. A redução é resultado do esforço cotidiano para evitar o desperdício e racionalizar o consumo.

Em relação ao episódio retratado no vídeo em questão, trata-se da realização de uma obra de engenharia que visa à recuperação da fachada de concreto aparente. Não é simplesmente uma ação de limpeza das paredes. Desde a construção do Anexo II e do Prodasen, nas décadas de 70 e 80, a fachada dos edifícios nunca sofreu ações de manutenção o que compromete os elementos estruturais da edificação, por desgaste da camada superficial do concreto, ocasionando infiltração e corrosão das armaduras e crescimento de fungos e algas.

O serviço iniciado pela empresa Essencial Engenharia visa promover a impermeabilização do substrato da camada de concreto dos edifícios, evitando com isso ataques decorrentes das intempéries à estrutura da fachada. Como parte do processo de recuperação da fachada, está prevista a realização da etapa de hidrojateamento em alta pressão nas paredes, técnica que reduz drasticamente o consumo de água. Essa etapa é indispensável para o tratamento de impermeabilização e já está em fase adiantada de execução. A obra tem previsão e término em julho de 2017 e o contrato não será renovado.

O contrato com a empresa Essencial Engenharia pode ser consultado no link abaixo:

http://www.senado.leg.br/transparencia/liccontr/contratos/contrato.asp?nc=20160132&cc=3840

O Senado Federal aprovou, ainda em 2015, o Plano de Gestão de Logística Sustentável – PGLS, que estabelece as diretrizes do manejo e uso adequado dos recursos ambientais nas dependências da instituição. No que diz respeito à questão da água, a Casa desenvolve ações para garantir e aprimorar o uso racional do bem e tem adotado soluções tecnológicas voltadas à redução do consumo, não só por meio da aplicação de soluções mais econômicas, como também pela sensibilização dos servidores e colaboradores, em especial, da equipe de limpeza e conservação das instalações. Nesse particular, foram implementadas ou estão em fase de implantação as seguintes ações:

Individualização do consumo de água;

Aproveitamento de água de chuva;

Reforma de reservatórios de água potável;

Reformulação da rede de águas pluviais;

Instalação de torneiras econômicas;

Instalação de bacias econômicas;

Instalação de purificadores de água;

Monitoramento automatizado de medidores e de sistemas;

Redução do consumo de água; e

Eliminação da lavagem de carros particulares nas dependências do Senado

Federal.

O PGLS pode ser consultado na íntegra, no link:

http://www12.senado.leg.br/institucional/programas/senado-verde/pdf/pgls.pdf”

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