O dia em que as mulheres eternizaram o grito contra o machismo no centro do poder

Fábio Góis/Congresso em Foco

Universo feminino: milhares de mulheres protestaram no centro do poder em Brasília

 

Brasília – e boa parte do mundo – viveu ontem (terça, 8), Dia Internacional da Mulher, um dos mais politizados e numerosos atos já realizados no país em defesa de questões femininas, como o combate ao feminicídio, o fim do machismo e a igualdade de gênero em nossa sociedade. Como sempre faz diante de momentos cruciais da vida brasileira, o Congresso em Foco percebeu a importância da data e, no mote das manifestações deste ano, paralisou as atividades por 24 horas, com material relativo ao tema previamente editado para estampar o site durante todo o dia, sem atualizações do noticiário. Tudo isso não é em vão: no Brasil, a cada dia, 13 mulheres são assassinadas em razão de sua condição feminina.

Pois ontem, um mar feminino encheu de cor o cenário da região central de Brasília (veja na galeria de fotos abaixo), geralmente caracterizada pelo vai-e-vem de carros e gente apressada. Durante toda a tarde elas se prepararam para o grande ato no Museu da República, prédio situado a cerca de dois quilômetros do Congresso, e lá fizeram rodas de capoeira, ensaiaram gritos de protesto, cantaram, discursaram, recitaram poemas de luta, confraternizaram. Em destaque constante, a máxima do “nem uma a menos” a sintetizar a união e a força com que pontuam seu grito de insatisfação. O lema #grevedemulheres #womenstrike foi, enfim, uma gigantesca onda contra a violência masculina e em defesa da igualdade de gênero, entre outras demandas (veja no vídeo abaixo).

O protesto, encabeçado por feministas dos Estados Unidos e do movimento “Ni Una a Menos” (Nenhuma a menos, em português), reproduziu-se em mais de 60 cidades brasileiras e alertava: “Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós”. Depois de algum tempo de preparação no Museu da República, cerca de dez mil mulheres, segundo organizadores do ato (cerca de cinco mil, segundo a Polícia Militar), seguiram em direção do Congresso Nacional acompanhando um caminhão de som.

Fábio Góis/Congresso em Foco

Gritos de “fora, Temer” e “fascistas, machistas não passarão” deram o tom do protesto

Parlamentares de esquerda se uniram às manifestantes por voltas das 18h, em frente ao Palácio do Itamaraty, e milhares de mulheres (com uma minoria de homens a reforçar a passeata) seguiram a caminhada até a Praça dos Três Poderes, onde finalizaram o ato com uma impactante performance de feministas ligadas ao teatro. Durante todo o ato, que chegou ao fim já perto das 21h, elas repetiram palavras de defesa da ex-presidente Dilma Rousseff e contra o fascismo e o “golpe parlamentar” que interrompeu o mandato da petista, entrecortadas por gritos de “fora, Temer” a todo momento.

Bem, imagens e vídeos feitos pela reportagem neste já histórico 8 de março dão uma ideia do que foi a mobilização. Abaixo, alguns registros. Que os protestos das mulheres sejam ouvidos e assimilados de maneira que, para além dos manifestos, seus propósitos sejam regra em todo o mundo. Como elas dizem, nem uma conquista a menos.

 

 

Confira o vídeo-convocação internacional para o 8 de março:


 

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