Manuela diz que Ana Amélia confunde Al Jazeera com Al Qaeda e ironiza: “Só resta comer um Al Fajor”

Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

Manuela D'Ávila é pré-candidata à Presidência pelo PCdoB, mas esteve com Lula até o último momento antes da prisão

 

Pré-candidata à Presidência da República, a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB) ironizou a senadora Ana Amélia (PP-RS) pelas críticas feitas à senadora Gleisi Hoffmann (PT) pela gravação de um vídeo para a TV Al Jazeera. Em mensagem publicada no Facebook, Manuela disse que Ana Amélia confundiu a TV do Catar com o grupo terrorista Al Qaeda, conhecido pelos ataques de 11 de setembro em Nova York e por ter tido como líder o saudita Osama Bin Laden, já morto. “Quando uma senadora cria fake news… só resta comer um Al Fajor mesmo”, brincou a deputada em referência ao famoso doce de origem argentina.

<< Veja  a mensagem postada por Manuela

Ao Congresso em Foco, Ana Amélia afirmou que a declaração da deputada estadual do PCdoB se trata de uma “fake news” e ressaltou que em seu discurso, no plenário do Senado, não há qualquer menção sobre comparação da TV Al Jazeera com a Al Qaeda.

Imagem reproduzida do Facebook da senadora Ana Amélia

“Para desviar o foco das mazelas dos líderes petistas e do vídeo da sua presidente, a esquerda tenta criar factoides para manipular a verdade. Em nenhum momento comparei a Al Jazeera, principal canal de comunicação no mundo árabe, com a Al Qaeda”, disse a senadora por meio de sua página no Facebook, com link para a íntegra de sua declaração.

<< Veja a mensagem postada pela senadora Ana Amélia

Na gravação à TV Al Jazeera, Gleisi Hoffmann diz que o ex-presidente Lula é um preso político. “Lula foi condenado por juízes parciais num processo ilegal. Não há nenhuma prova de culpa, apenas acusações falsas”, diz. Em seguida, ela convoca “todos e todas [do mundo árabe] a se juntarem na luta” para libertar Lula.

Parlamentares da base e da oposição protagonizaram ontem uma guerra de versões sobre o assunto. Além de confrontos verbais e discursos enfurecidos nos plenários do Senado e da Câmara, as declarações da petista renderam protocolos de processo por suposta quebra de decoro parlamentar e até distribuição de conteúdo falso – as famigeradas fake news – nas redes sociais. A versão de que a senadora estaria a insuflar grupos terroristas para defender Lula em território brasileiro foi rebatida e até ridicularizada por parlamentares da oposição.

“Perdoe a ignorância desse… É muita ignorância”, disse o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), dirigindo-se ao senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que presidiu parte da sessão plenária, e referindo-se a José Medeiros (Pode-MT), que falava ao microfone e criticava o “recado muito estranho” de Gleisi à Al Jazeera.

“Nós temos respeito por todas as religiões. Agora, nós também somos um país que não tem contato com nenhum radicalismo, com nenhum fundamentalismo”, disse Medeiros, antes de ser interpelado por Lindbergh, e acrescentando que a mensagem da petista parecia “um recado subliminar”. “A quem era dirigido aquilo?”

Uma das principais críticas do PT no Senado, Ana Amélia discutiu com Gleisi ontem no plenário por causa do vídeo. Em discurso feito na tribuna no início da tarde (vídeo abaixo), a senadora gaúcha chegou a cogitar desrespeito à Lei de Segurança Nacional, uma vez que a presidente do PT denunciou instituições brasileiras. E, ao falar, Ana deu início a uma forte troca de acusações em plenário.

“Só espero que, dada a gravidade do conteúdo dessa exortação publicada pela TV Al Jazeera, essa convocação ao apoio dos países do mundo árabe não tenha sido também um pedido para que o exército islâmico venha ao Brasil atuar aqui e que aqui não estejamos tratando de uma possível incursão na Lei de Segurança Nacional”, disse a senadora do PP, reclamando da “hostilidade” de Gleisi.

Nesse ponto da sessão, um rápido bate-boca entre senadores tomou conta do plenário. Gleisi pedia a palavra para rebater Ana Amélia, com base no artigo 14, que garante defesa a quem é citado com fala ofensiva. Mas o senador João Alberto Souza (MDB-MA), que presidia os trabalhos em plenário na ocasião, negou a intervenção oral alegando que o nome da petista não havia sido citado, embora não houvesse dúvida quanto à destinatária da fala de Ana Amélia.

“Só há uma presidenta do PT, e só há uma presidenta que deu entrevista à Al Jazeera”, reclamou Gleisi. Depois de alguns protestos em plenário, João Alberto concedeu a palavra à senadora Ângela Portela (PDT-RR), que mudou de assunto e o alvo de críticas passou a ser “o teto de gastos que foi proposto e implantado pelo governo ilegítimo de Michel Temer”.

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Gleisi esperou a vez de falar e, quando pôde discursar, devolveu os ataques a Ana Amélia, sem citar o nome da colega. “Penso que o incômodo com essa entrevista com aquela senadora do Rio Grande do Sul, que veio aqui à tribuna para falar a esse respeito, não foi com o conteúdo da minha fala, mas foi com o veículo de comunicação em que ela se deu. Só posso reputar isso à ignorância, ao preconceito, à xenofobia contra o povo árabe. Aliás, mais do que isso, chega a ser má-fé, desvio de caráter o que essa senadora – aquela mesma que incentivou a violência contra a caravana do presidente Lula, mandando erguer o relho contra nós todos – em relação ao que está fazendo nas redes sociais”, fustigou a petista.

A Procuradoria Geral da República instaurou procedimento preliminar para analisar a possibilidade de abrir inquérito sobre o vídeo gravado pela presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), para a TV Al Jazeera. A informação é da colunista Andreza Matais, do Estadão.

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