Manifestantes se algemam por impeachment, mas poupam Cunha

Thyago Marcel/Ag. Câmara

Manifestantes cobram Cunha sobre impeachment, mas silenciam sobre acusações contra o presidente da Câmara

Um grupo de oito manifestantes se algemou a uma pilastra no Salão Verde da Câmara nesta quarta-feira (28). Eles pedem que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolha o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os ativistas fazem parte da Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, que congrega 42 grupos de todo o país que defendem o afastamento da presidente.

Conselheira da aliança e integrante do movimento Nas Ruas, Carla Zambelli disse que os manifestantes estão dispostos a passar a noite no local se for preciso. “A expectativa desse protesto é justamente acelerar o processo de acolhimento do pedido. A gente acha que já chegou a um ponto em que o brasileiro está acorrentado pela corrupção e pelo excesso de impostos”, disse Carla. “Cunha tem a chave para soltar as algemas”, emendou Antônio Carlos, integrante do grupo.

Os manifestantes que pressionam pelo impeachment não questionam a permanência do presidente da Câmara no cargo mesmo após as revelações das autoridades suíças de que ele mantinha contas secretas na Europa e a apresentação de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), por corrupção e lavagem de dinheiro.

Pela manhã, durante uma coletiva de imprensa, os ativistas leram uma carta pedindo ao PMDB que se posicione em relação ao pedido de impeachment. “Eles têm que romper com o governo”, defendeu Carla Zambelli.

Cunha já anunciou que decidirá em novembro sobre a representação apresentada pelos líderes da oposição no último dia 21. De acordo com a Folha de S.Paulo, a área técnica deu aval para a tramitação do pedido encabeçado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal. O peemedebista, no entanto, ressalta que a palavra final sobre o assunto será dele.

Nesta quarta, o Conselho de Ética da Câmara recebeu representação contra Eduardo Cunha. O deputado terá dez dias para se defender da acusação de ter mentido em depoimento à CPI da Petrobras de que não tinha contas bancárias no exterior.

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