Segunda, 20 de Maio de 2013

CPI perde o rumo e parlamentares questionam futuro das investigações

Em quase dois meses, CPI do Cachoeira ainda não foi capaz de produzir nenhum fato relevante, perdida na briga de torcidas entre o PT e o PSDB. Parlamentares temem que a investigação do esquema do bicheiro acabe se perdendo

Wilson Dias/ABr

Falta de objetividade e disputa política intensa comprometem o trabalho da CPI que, após quase dois meses, ainda não disse a que veio

Até a última sessão, a CPI do Cachoeira já tinha aprovado 365 requerimentos, quebrado 57 sigilos e convocado 18 pessoas, entre elas os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Apesar disso, não há uma informação relevante sequer sobre o esquema do bicheiro goiano que tenha surgido do trabalho dos deputados e senadores que compõem a CPI. Nos quase dois meses de trabalho, as imagens mais emblemáticas da comissão de inquérito são as sessões de silêncio de Cachoeira e outros envolvidos ou a disputa das torcidas tucanas e petistas nos depoimentos de Perillo e Agnelo.

 

 

 

 

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“Não estamos indo a lugar nenhum”, constata o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP). “A CPI está sem rumo e com medo de avançar”, completa. “O PT protege os seus, o PSDB protege os seus, e o PMDB não faz nada”, resume o senador Pedro Simon (PMDB-RS). É uma situação que preocupa os integrantes da CPI mais independentes, que já começam a temer que a CPI do Cachoeira vire um dos episódios mais vexaminosos da história do Congresso Nacional.

“Tá na hora de trabalhar”

Ex-presidente da CPI dos Correios, em 2005, que investigou o mensalão e cujos trabalhos são a base inicial do processo que resultou no processo que será julgado ainda este ano no Supremo Tribunal Federal, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), espanta-se com o fato de, até agora, a CPI do Cachoeira não ter requisitado auxiliares do Ministério Público, da Polícia Federal, do Tribunal de Contas da União (TCU), e da Controladoria Geral da União (CGU) para ajudar nos trabalhos. Não apenas na CPI dos Correios, mas em todas as comissões de inquérito importantes, como a do PC e a do Orçamento, procuradores, promotores, policiais e auditores foram requisitados para auxiliar na investigação e na análise dos documentos.

“Tá na hora da CPI trazer gente pra trabalhar na investigação. Leia-se MPF, TCU, CGU, PF”, disse Delcídio, que, desta vez, é suplente da CPI do Cachoeira. Sem o auxílio dos profissionais desses órgãos, os deputados e senadores simplesmente não conseguem analisar as centenas de volumes de documentos das Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. A quantidade de material ainda vai aumentar quando começarem a chegar as quebras de sigilo pedidas.

Para complicar a situação, o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), criou uma rotina para o acesso aos documentos que tem recebido críticas generalizadas. Primeiro, os parlamentares reclamaram que não havia estrutura na sala onde os documentos ficam armazenados. No início, havia apenas um computador para ser usado. Vital colocou depois outras máquinas à disposição, mas eles ainda são apenas cinco. E eles ainda requerem o uso de senha para sua utilização.

Como se não bastasse, ainda há documentos produzidos pela Polícia Federal que nem chegaram à CPI. Até hoje, a comissão não teve acesso à integra das conversas grampeadas durante as operações. A comissão não é capaz sequer de dizer se o que possui corresponde ao que já foi vazado a diversos sites, publicações e jornalistas. “Nós queremos ter acesso à totalidade dos áudios”, reclama o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG).

Na quarta-feira (13), Odair encontrou-se com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, relator do inquérito do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) na mais alta corte do país, justamente para fazer esse pedido.

Controle governista

O que mais irrita os independentes é a sensação de que os parlamentares governistas, nos esforços que fazem para manter o controle da CPI, atuam mais para evitar e adiar investigações do que para orientar a apuração.

Isso ficou claro na sessão de quinta-feira (13), após a decisão da quebra de sigilo de Marconi e Agnelo. Em duas votações apertadas, foram rejeitadas as convocações de Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construções, e do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) Luiz Antônio Pagot. Prevaleceu a alegação de que, primeiro, a CPI precisa analisar a documentação que já pediu e fazer as oitivas já marcadas.

Uma proposta para agradar governo e oposição foi feita pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). O requerimento de convocação dos dois seria aprovado, mas a data das oitivas seria marcada posteriormente pelo relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG).

Porém, nem assim os governistas cederam.  “Nós precisamos das informações. Ou então os depoentes virão aqui e não terão nada a acrescentar”, disse a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), como se já não fosse exatamente isso o que até agora está acontecendo na maioria do tempo. A comunista acrescentou que os requerimentos não foram rejeitados, apenas sobrestados, “podendo ser votados a qualquer momento”.

A manobra de deixar os requerimentos sem votação é a forma que os governistas encontraram para evitar convocações indesejáveis. Cavendish conseguiu transformar a Delta de uma pequena empresa familiar na principal construtora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Já Pagot ensaia ser uma testemunha-chave na investigação caso se queira que ela vá a algum lugar. Ele afirmou que diz que caiu do Dnit pela ação de Cachoeira, e está disposto a contar, caso seja convocado, como atuam os esquemas dos corruptores no setor rodoviário, que administrou.

Com a decisão de manter o depoimento de Pagot na geladeira, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), um dos independentes, articula mesmo levá-lo a depor em alguma outra instância do Congresso para gerar um fato que a CPI, em seguida, não mais poderia ignorar. É uma estratégia que foi apelidada de “CPIdoB”.

“Tropa de cheque”

Nas críticas que fez às estratégias para adiar as investigações e depoimentos, Miro chegou a provocar estremecimentos no Congresso. Num trocadilho com a “tropa de choque”, que na CPI do PC defendia o ex-presidente e hoje senador Fernando Collor (PTB-AL), Miro disse que agora há “uma tropa de cheque” ocupada em defender a Delta na CPI do Cachoeira. Um trocadilho forte, porque pressupõe um interesse pecuniário na atuação.

“Dizer que existe uma ‘tropa de cheque’ é uma irresponsabilidade! Tenta colocar em suspeição deputados e senadores. Essa CPI tem responsabilidade”, reagiu o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP).

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12 Comentários

  1. Desde quando CPIs produziram alguma coisa concreta? Eles mesmos dizem que CPI não pode prender ninguém! Então, por que começam? É só pra aparecer politicamente, ainda mais em ano eleitoral. O mais importante são os partidos e não o que é investigado. Cada um puxa a brasa pro seu assado. Afora os que só querem blindar seus cupinchas. E a gente é obrigada a escutar um monte de besteiras em explicações furadas, inclusive dos próprios membros da CPI. É dose. Tinham de terminar com essa falácia de CPI.

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  2. ivani disse:

    nao chamar o governador sergio cabral e do fernando dono da delta com do proprio relator da cpi envolvido ai fica insustentavel esta cpi

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  3. Jonas Alves da Silva disse:

    Eu já havia dito e repito: ” Nunca vi um teatro tão bem armado como este.” E nós os “babacas – povo brasileiro” ficamos a assitir essa baboseira toda, essa imbecibilidade, essa pouca vergonha! Onde já seviu um Collor de Melo (conhecido…) esbravajar, como se fosse um santinho. Ah!!! Chega.

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  4. Ademar disse:

    ESSA CPI É CHAPA BRANCA, CONTROLADA PELO GOVERNO E PELO PT.
    O ÚNICO OBJETIVO É CONDENAR ALGUNS ADVERSÁRIOS DO PSDB PARA TENTAR IGUALA-LOS AOS MENSALEIROS E MINIMIZAR O JULGAMENTO DO MENSALÃO.
    TODO MUNDO JÁ VIU QUE NÃO É UM PROCESSO HONESTO, É MARMELADA!!!

    Por que a Delta e seu presidente, amigão do Sergio Cabral e de muitos politicos no governo, não são convocados?
    Por que não convocam o Pagot, que disse ter muita coisa pra falar?
    É MEDO DE ATINGIR O GOVERNO….

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  5. Wanderley Sucigan disse:

    Nunca na história deste País……a JUSTIÇA foi tão cega,surda,muda e acima de tudo tão BURRA.
    Em qualquer Paìs com governo sério,estes políticos estariam preço,assim foi com o francês que ousou levantar os olhos a quem não devia.
    A POLICIA FEDERAL, descobriu,provou os crimes, ai entra os cumpadres da própria camara fazem este auê todo, e tudo vira pizza. São pares locupletados com a falta de vergonha, de decoro.Não tem um que escapa hoje é o demostenes que esta de réu,poderia ser qualquer um deles que seria o mesmo. De vez em quando colocam um boi de piranha para fóra.
    Lámentável que uma casa que deveria ser o exemplo para o POVO seja a grande vergonha do povo.
    Começam a nos roubar ao primeiro café da manha e só param porque ninguem é de ferro e tem que dormir.Conclusão estes facínoras só não dão prejuizo quando dormem.Pois lucro nunca dão.

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  6. CID COSTA disse:

    As convocacoes nao foram ” rejeitadas “, foram adiadas por conta de os parlamentares estarem aguardando os dados da quebra do sigilo nacional da DELTA. Poucas seriam as arguicoes neste momento. Com a anlise da quebra do sigilo da DELTA, ai sim os parlamentares estarao com muito mais informacoes, inclusive de OUTROS GOVERNADORES ( JOSE SERRA e cia).
    Portanto que esta tumultuando e querendo pautar a CPI, sao : A midia, e a oposicao…

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  7. Carlos Bianco disse:

    Tal qual cães “pit bull”, mostram a ferocidade que pensam ter, contudo, so para campanha politica propria, jamais com o intuito de solucionar a roubalheira que acontece.
    Para se chegar a uma conclusão, inclusive com o apenamento dos bandidos, esta CPI, precisa convocar a policia e o MP, para dar continuidade ao processo.
    Parlamentar, precisa sim, ter ética, compromisso com a verdade, trabalhar 5 dias por semana (em Brasilia), para a tão sonhada reforma administrativa, politica, fiscal e constitucional, para que toda a população tenha a DEMOCRACIA, respeitada.
    É mais do que momento, para todos os cidadãos, repensarem e meditarem sobre os votos, procurar saber dos politicos que vai eleger, quais estao vinculados com instituiçoes de ensino, pesquisa, desenvolvimento ambiental, industrial, social, etc.
    Quem vende o voto, por qualquer quantia que seja, precisa se conscientizar que quem comprou, vai roubar do futuro de seu filho 1000 vezes pelo menos o valor pago.
    Saudações

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  8. José Daniel dos Santos disse:

    PARA MIM CPI , É UM CIRQUINHO, LUGAR DO POLITICO APARECER NA TV PARA MOSTRAR QUE TRABALHA, MAS NA VERDADE É GAMBÁ LAMBENDO GAMBÁ.

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  9. Marcos Sousa disse:

    Humpffff….

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  10. jose disse:

    sem rumo e sem direção, que coisa feia

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  11. André disse:

    ALGUÉM ALGUM DIA ACREDITOU QUE ESTA CPI DARIA EM ALGUMA COISA ALÉM DE NADA?
    OS IMBECIS FAZEM A LEI DE FICAR EM SILÊNCIO PARA NÃO PRODUZIR PROVAS CONTRA SI A BEM DE TENTAR SE SAFAR DE FUTUROS PROCESSOS QUE VIESSEM A TER DE RESPONDER SÓ QUE AGORA BANDIDOS ESTÃO SE VALENDO DESTA LEI E DEIXANDO TODOS OS IDIOTAS COM CARA DE PALHAÇO PERANTE A NAÇÃO.

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  12. FATIMA MENDES disse:

    Só existe um ponto onde os politiqueiros, esses nossos maus representantes perdem-se: É quando são tomados de surpresa por alguma denúncia onde todos estão envolvidos. Aí, meus amigos, eles trabalham, queimam neurônios para montar esquemas que mascaram seus mal-feitos, porém, como a justiça tem olhos entre-abertos, não é difícil obter resultados favoráveis. É uma falação que adoece nossa dignidade. Em momento algum, chegamos a saber o final destes rompantes. Mas não somos profetas, nem videntes, SOMOS TODOS BRASILEIROS REALISTAS E CONSCIENTES DE QUE ESTES SURTOS, SERVEM APENAS PARA DESVIAR NOSSA ATENÇÃO ENQUANTO ELES TRAMAM OUTROS MAL-FEITOS. É óbvio que eles não irão concordar com suas próprias punições. E nisto a JUSTIÇA ajuda bastante, citando leis que nunca estiveram em vigor. As leis e as ações só retroagem, quando se trata de atingir o povo. Os “parlamentares” formam o círculo, dão-se as mãos e o lema é: ELES POR ELES MESMOS.

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