Segunda, 20 de Maio de 2013

Jader gasta R$ 100 mil para divulgar mandato

Ele não faz um discurso há 11 anos. Não apresentou nenhum projeto nem deu parecer em comissão. Mas o Senado ressarce suas despesas com empresa que divulga o que ele “faz” no Congresso

Fabio Pozzebom/ABr

A última vez que Jader discursou no Congresso foi para renunciar à presidência do Senado, há 11 anos

Dos 54 senadores eleitos em outubro de 2010, Jader Barbalho (PMDB-PA) foi o último a tomar posse no Senado. Barrado inicialmente pela Lei da Ficha Limpa, só foi empossado em 28 de dezembro de 2011, nove meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que a lei não valeu para as eleições passadas. Sete meses após a sua posse porém, o senador Jader Barbalho repete o deputado Jader Barbalho: é a discrição em pessoa.

Discreto, Jader acumula cargos e faz sucessor

Futuro de Jader continua nas mãos do Supremo

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Tal como em seus últimos dois mandatos na Câmara, Jader não fez um único pronunciamento em plenário nem apresentou qualquer projeto de lei desde que voltou ao Senado, em 28 de dezembro – dez anos após ter renunciado para escapar de processo de cassação. Compareceu a pouco mais da metade das sessões destinadas a votação, não registrou presença nas comissões nem relatou qualquer proposição. Tamanha discrição, porém, não sai de graça.

Apenas nos sete primeiros meses do ano, o peemedebista gastou R$ 107,8 mil com a divulgação de sua atuação parlamentar. Entre janeiro e julho, Jader destinou R$ 15,4 mil para a empresa que cuida de sua comunicação na internet, sediada em São Bernardo do Campo (SP). Uma conta que foi paga pelo Senado, que o ressarciu integralmente, a exemplo do que é feito com todas as despesas dos senadores atribuídas ao exercício do mandato.

Gastos e ausências

O ex-presidente do Senado foi o segundo senador que mais gastou com a divulgação de sua atividade parlamentar no primeiro semestre legislativo. Ficou atrás apenas de Ângela Portela (PT-RR), que despendeu cerca de R$ 110 mil para propagandear sua atuação. Somados os gastos com passagens aéreas, Jader teve mais de R$ 160 mil em despesas ressarcidas pela Casa desde o início do ano.

O senador, que reclamou em sua posse ter perdido um ano de mandato por causa da indefinição da Justiça sobre a Lei da Ficha Limpa, deixou de comparecer a 40% dos 62 dias  que o plenário do Senado reservou para sessões deliberativas, entre janeiro e julho. Das 25 ausências acumuladas por ele, três foram justificadas por motivo de saúde – no início do ano, Jader foi submetido a uma cirurgia na próstata; 14 foram atribuídas a compromissos relacionados à atividade parlamentar. Oito faltas ainda não apareciam justificadas nos registros da Secretaria Geral da Mesa até a semana passada.

Mesmo discreto, Jader continua poderoso, com cargos nos governos federal e estadual. O senador que responde ao maior número de ações penais no Supremo – é réu em cinco processos – elegeu como prioridade fazer do filho Helder Barbalho (PMDB), de 33 anos, governador do Pará já em 2014. O filho conclui este ano o segundo mandato consecutivo como prefeito de Ananindeua (PMDB), na Grande Belém.

Pelo voto secreto

Jader deixou de votar proposições mesmo quando estava presente em plenário. Foi o que ocorreu, por exemplo, no dia 4 de julho, quando o Senado aprovou duas propostas de emenda à Constituição (PEC): uma delas (PEC 86/2007) acaba com o voto secreto nos processos de cassação no Legislativo e a outra (PEC 103/2012) reparte o ICMS arrecadado em compras eletrônicas entre o estado produtor e o estado de residência do comprador. Apesar de seu nome constar da lista de presença, ele não votou nenhuma das duas proposições.

O peemedebista estava entre os seis senadores que admitiram ao Congresso em Foco ter posição contrária à divulgação do voto dos parlamentares em processos de cassação de colegas.

“Por princípio, convicção, eu sou contra o voto aberto em qualquer caso. O voto secreto é um avanço da humanidade, é uma conquista na evolução do processo político. Imagine se eu, como senador da República, não tiver autonomia, direito a preservar meu voto?”, disse o senador à reportagem duas semanas antes da votação.

Desde o início do ano, Jader apresentou apenas um requerimento. Um pedido de informações endereçado à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, sobre o andamento do projeto Aços Laminados do Pará (Alpa), lançado pelo governo federal.

Uma década de silêncio

O último registro de alguma fala de Jader em plenário no Congresso é antigo. Data de 18 de setembro de 2001, quando renunciou à presidência do Senado. De lá para cá, foram mais oito anos de Câmara e um semestre de Senado sem que ele fizesse qualquer pronunciamento, nem mesmo as tradicionais intervenções nos discursos dos colegas, os chamados apartes. O último projeto de lei apresentado por ele é de 2000 e tratava da destinação de recursos arrecadados com a privatização da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

Apesar da atuação discreta, a página do senador na internet aparece recheada de notícias do mandato. Foram publicados mais de 40 textos desde sua posse, entre notícias e artigos de autoria do peemedebista, reproduzidos do Diário do Pará, periódico de maior circulação do estado e que pertence à família Barbalho. Além de alimentar o site, a equipe contratada pelo senador também responde pelas contas dele nas redes sociais.

Procurados pelo Congresso em Foco, nem Jader nem a empresa que cuida da comunicação do senador na internet retornaram os contatos.

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21 Comentários

  1. Marcelo Benevides disse:

    Isso é algo que não podemos compreender, ainda que o detentor de cargo eletivo tenha um desempenho excelente em prol da sociedade, o que não é o caso desse indivíduo. Não há como aceitar que sejam gastos recursos públicos para divulgar aquilo que deverá ser usado para manter alguém no poder. Que democracia é esta? Mas, o que esperar de eleitores que em seu dia a dia, estão sempre preocupados apenas consigo mesmo? Os nosso ‘representantes’ são o nosso retrato. A mudança deve vir nas urnas, nesse caso específico, os paraenses precisam urgentemente acordar para quebrar esse círculo vicioso, não é possível que não haja lá, sangue novo.

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  2. Antonio C. Mesquita disse:

    Ele como os demais menbrs do atgual Congresso Brasileiro, para o bem do País teriam que ser extirpados da vida publica definitivamente, para que se moralise a função parlamentar. O mesmo deveria ocorrer nas Assembléias Legislativas e em muitas Câmara Municipais, que só fazem enriquecer a custo do povo e por culpa exclusiva do “povão”. Mas para que isto aconteça, vamos torcer para que surja um líder CINGAPURA!

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  3. Savio disse:

    O Jáder é o TUMOR MALIGNO QUE OS PARAENSES AINDA NÃO CONSEGUIRAM EXTIRPAR. Roubou o estado durante anos, acumulou um patrimonio às custas do endividamento do estado e nada aconteceu com ele até agora. É dono do PMDB no estado. Não faz absolutamente nada no congresso e ainda acha graça da justiça e de todos os paraenses.

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  4. Cesar disse:

    O cara é o conceito de uma democracia que não funciona, que tem muito o que melhorar. Pessoas que considerarei de “baixo QI”, essa é a única explicação que consigo achar pra votarem em uma pessoa inescrupulosa e corrupta como esse sujeito, fizeram até um filme sobre ele, sobre suas sujeiras, que foi simplesmente censurado no país, neste país, no nosso país.
    O Brasil pode melhorar financeiramente, mas dificilmente será um país minimamente sério, minimamente justo, e sequer falarei honesto!

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  5. Fernando luis disse:

    No Brasil, corrupção tem prazo de validade, por isso o STF permitiu que esse político do Pará se eleja e continue a gozar de tudo isso. Ele é um político que debocha dos brasileiros, com aquiescência desse tipo de lei que impera no Brasil. Vergonhoso, isso!

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  6. Francisco B. Junior disse:

    PREZADOS CIDADÃES BRASILEIROS PERMITA-ME O DESABAFO ESTA FIGURA FOI PRESA NO GOVERNO FHC O DELEGADO QUE O TROUXE ALGEMADO FOI AFASTADO DO CASO E TRANSFERIDO PARA UMA DELEGACIA RUIM,E ESTE POVO NÃO APRENDE MESMO POVO BURRO E IGNORANTE NÃO APRENDE A VOTAR O PIOR QUE TODOS NOS SOFREMOS COM ISSO TIPO DE MALANDRO NA POLITICA

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  7. Paulo disse:

    Provavelmente essa deve ser a ultima decada em que poderemos fazer uma revolução sem que cada rosto na multidao seja identificado por uma camera.
    Essa seria uma epoca perfeita para mudar esse pais de uma vez. O controle pela technologia ainda não é tão eficiente mas quase toda a população tem recursos de se organizar contra o governo.
    Mas, vem ai a copa do mundo….

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  8. Jaider disse:

    levantei os projetos que virou lei na Cama Municipal aqui de Belo Horizonte só apareceu leis de nome de rua, tem o dia do Samba, dia da Feijoada e mais um monte de merda. Pagamos esses picaretas de 2009 á 2012 para apresentar projeto de nome de rua.

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  9. Adilson Luiz de França disse:

    Essa matéria mostra a realidade e para que serve um Senador da República, não produzem nada e gastam a verba de representação divulgando o NADA, A OCIOSIDADE, A MALANDRAGEM EXPLÍCITA, nós como sempre só servimos para pagar a conta dessas exorbitâncias, os recursos gasto com o Senado Federal daria para amenizar os problemas brasileiros, eles nos dão um prejuízo enorme, e só trabalham para a manutenção do poder através dos filhos, existe até filho que enricou da noite para o dia só porque é filho de político, tá na hora do povo acordar e sair dessa letargia, CONTENSÃO DE GASTOS PÚBLICOS JÁ!

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  10. Mauro Silva de Oliveira disse:

    Não aceito que usem o nosso dinheiro pra fazer publicidade em favor deles mesmos, mesmo que seja o melhor dos congressistas. Notoriedade se ganha com bom desempenho e não com falsas propagandas ainda mais bancadas pela gente. Deus queira que esse peso morto que os brasileiros carregam há anos saia das nossas vidas.

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  11. Mario Melo disse:

    Esse é o Brasil que os politicos adoram! Nada fazem para o bem da Nação, apenas para o bem deles e de seus familiares!
    Um país que poderia ser um “paraizo” para todos se torna um reduto de bandidos, traficantes e analfabetos. É uma pena!

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  12. É um absurdo o Senado ter verba para divulgação de atividade parlamentar
    Jader faz o que é permitido, temos que cobrar do congresso a revogação desta permissão legal

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  13. Marcirio disse:

    Este é um país de faz de conta! Como aceitar um crápula como esse no Senado da República? É puro escárnio! Esse indivíduo devia estar lavando latrina em alguma penitenciária de segurança máxima e ainda devolver tudo que surrupiou do povo. Não é admissível sua presença no senado. Mesmo estando cheio de corruptos, ladrões e salafrários de todo tipo.

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  14. Hélder Sarmento Ferreira disse:

    É neste pé que está o Brasil, uma nação que ainda vive a época do coronelismo, que ainda está vivo no curral eleitoral presente e tantas tramoias que vemos todos os dias e nas eternas CPIs, é simplismente deprimente e o reflexo é na saúde precária, educação de faz de conta e tudo mais, e ná prática temos leis que presisam pegar, para que tenhamos justiça. mas temos um judiciário e um legislativo que consome milhões e na prática não conseguimos palpar suas ações é como se fosse o palácio inglês lá estão nossos magistrados ganhando muito bem e aqui nós precisando de suas ações.

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  15. Hélder Sarmento Ferreira disse:

    É neste pé que está o Brasil, uma nação que ainda vive a época do coronelismo, que ainda está vivo no curral eleitoral presente e tantas tramoias que vemos todos os dias e nas eternas CPIs, é simplismente deprimente e o reflexo é na saúde precária, educação de faz de conta e tudo mais, e na prática temos leis que tem pegar, para que tenhamos justiça. mas temos um judiciário e um legislativo que consome milhões e na prática não conseguimos palpar suas ações é como se fosse o palácio inglês lá estão nossos magistrados ganhando muito bem e aqui nós esperando de suas ações.

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  16. Hilton disse:

    Como todos políticos brasileiros comprometidos consigo mesmos, não estão nem aí para o Brasil.
    Como pode um criminoso feito este cidadão, receber da justiça o aval para ser um representante público. Mesmo com a reputação comprometida com a justiça, mesmo inoperante, mesmo réu, ele esta recebendo um gordo salário extorquido da classe trabalhadora através dos impostos e ainda recebe verbas extras para fazer auto propaganda daquilo que nunca fez.
    Esta é a lei brasileira, e ainda dizem por aí que ha distribuição de renda, que os pobre comem mais, que milhões saíram da miséria. Pois é com uma bolsa família de r$60,00/mes, eles publicam o milagre da república PopLulista, mas o que ninguém diz é de onde vem a miséria dos miseráveis e do porque de no país da fartura existir famintos.

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  17. Ray Rangel disse:

    O Brasil é um país único, coisas como essa só acontecem mesmo aqui, um cara que sabidamente é corrupto, cometeu várias irregularidades continua como senador sem fazer absolutamente nada pelo seu país, pelo povo brasileiro e ainda pode gastar + de 100 mil reais para alaredear os projetos que nunca fez. Aprende a votar Brasil, senão fica difícil!

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  18. Marco Antonio Araujo disse:

    Jader é mais um pilantra que envergonha o Pará e o Brasil. É igual a uma grande maioria de políticos pilantras subdisiados pela ignonância dos eleitores brasileiros.

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  19. Marco Antonio Araujo disse:

    Lugar de ladrão do dinheiro público não é na cadeia é no congresso nacional. Eta povo burro !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  20. Luiz Vieira disse:

    Sabe-se que “a política é a ciência e a arte do bem comum”, portanto sempre continuarei acreditando que não político desonesto, mas infelizmente existem muitos ladrões travestido de “político”. O Poder Judiciário – que sempre acreditei em sua idoneidade moral – usar uma linguagem que nós povão possamos compreender. DESVIO DE VERBA É ROUBO, FICHA SUJA É LADRÃO. Lamento a situação dos políticos honestos que são obrigados a conviver com essa camarilha. Portanto rogo encarecidamente que “O Poder Judiciário” que retire os ladrões do congresso e envie-os para as penitenciárias.

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