Sexta, 24 de Maio de 2013

“Governo nunca quis negociar com servidores”

Em entrevista ao Congresso em Foco, Pedro Delarue Tolentino, um dos principais líderes da greve do funcionalismo, argumenta que carreiras estão sem reajuste há quatro anos

Unafisco

Segundo Delarue, há categorias com reajustes defasados há quatro anos

O governo federal mascara a realidade salarial no país e enrola na negociação da greve. A opinião é do coordenador da União das Carreiras Típicas de Estado (UCE), Pedro Delarue Tolentino, um dos principais líderes da greve do funcionalismo público, que já reúne cerca de 350 mil servidores em todo o país. A UCE congrega 22 categorias e um universo de 80 mil servidores – 50 mil da ativa e 30 mil já aposentados – que formam as principais carreiras do funcionalismo, como diplomatas e auditores fiscais, o caso de Delarue.

Leia a íntegra da entrevista de Pedro Delarue Tolentino
Greves poderão chegar também à iniciativa privada

Em entrevista exclusiva concedida ontem (quarta, 22) ao Congresso em Foco, o líder de classe critica a forma com que o Planalto tem lidado com o movimento grevista. Segundo ele, o maior problema é que o governo não tem reajustado os vencimentos dos funcionários públicos todo ano, como deveria. “Se isso acontecesse, estaríamos pedindo reajustes de 5%”, argumenta. Como há, segundo Delarue, um acúmulo de inflação não reajustada de quatro anos ou mais, as categorias têm reivindicado reajustes maiores. Para o servidor público, em vez de fazer comparações com salários da iniciativa privada, o governo deveria comparar o que ganham os servidores públicos com os vencimentos pagos em estatais como a Petrobras.

“Vão descobrir que o funcionário da estatal ganha muito mais, mas muito mais, do que o do setor público. Talvez isso seja uma realidade que esteja interessando ao governo esconder neste momento. Vamos fazer uma comparação do salário do servidor público com, por exemplo, o de um funcionário da Petrobras. Você vai ver que a massa salarial da Petrobras está muito acima”, provocou o auditor fiscal, que também é presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional) para o biênio 2012-2013.

De dois em dois dias

A paralisação dos auditores foi decidida há uma semana, na última quarta-feira (15), em assembleia nacional. À meia-noite desta quinta-feira, a depender dos acontecimentos, a categoria pretende interromper a greve geral. Mas não sem antes explicitar uma espécie de aviso ao governo: “Depois da pausa de dois dias, os auditores federais voltam a cruzar os braços na próxima terça-feira (28) e quarta-feira (29)”, adverte a UCE em sua página virtual.

Segundo Pedro, a transparência no funcionalismo é só um dos elementos que podem demonstrar a “maquiagem” feita pelo Planalto. Como resposta às críticas pela paralisação de sua classe em todo o país, ele diz que os auditores “não viraram as costas”, mas recorrem a uma operação-padrão ainda mais minuciosa em termos de fiscalização. E a culpa, diz, é do governo. “O governo demorou a negociar, enrolou na negociação. Na verdade, não queria fazer a negociação, e isso foi o que desencadeou toda essa reação que, agora, se vê nas ruas”, observa.

Para o presidente UCE, não procede a tese de que os auditores querem avançar sobre o restrito orçamento à disposição do governo Dilma. O auditor também refuta a qualificação feita por Dilma de que a greve do funcionalismo é uma greve de “sangue azul”, dado o valor dos salários que ganham. “Trata-se de uma declaração impensada”, rebate.

Reajuste “inconcebível”

Os auditores querem recomposição salarial de 30%, retroativa e anual, de 2008 para cá. Segundo Pedro, a contrapartida considera apenas conceder reajuste segundo a “inflação futura”, com 15% de reajuste divididos em três parcelas nos próximos três anos.

“Se há carreiras pedindo 151%, aí é problema de cada carreira, especificamente. Nós, auditores fiscais, não estamos pedindo isso. O que estamos pedindo, na verdade, só recompõe a inflação dos últimos anos”, diz Pedro.

Leia a íntegra da entrevista

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21 Comentários

  1. Savio disse:

    FALOU E DISSE. OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DO EXECUTIVO À MUITO TEMPO VEM PAGANDO A CONTA E SENDO O BODE EXPIATÓRIO DO GOVERNO. EXISTE DINHEIRO PARA DESVIOS DO MENSALÃO, PARA DESVIAR DOS MINISTÉRIOS AOS PARTIDOS DA BASE VIA LICITAÇÕES FRAUDULENTAS, PARA CONSTRUIR ESTÁDIOS PRA COPA (MAIS DESVIOS) PORÉM NÃO EXISTE PARA REPOR AS PERDAS DO FUNCIONALISMO.

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  2. Antônio disse:

    É impressionante a insistência dos servidores públicos quererem comparar alhos com bugalhos.
    A Petobras é uma sociedade de economia mista independente do Tesouro Nacional. Ou seja, ela própria gera seu faturamento, operando no mercado de petróleo, correndo riscos, para cobrir todas as suas despesas, inclusive com salários. E a maior parte do seu lucro vai para o reforço do caixa do Tesouro Nacional, pois os contribuintes são seus maiores acionistas.
    Já a categoria do Sr. Delarue precisa sacar do caixa do Tesouro pra receber seus salários. Ou seja, saca o dinheiro dos impostos e o lucro gerado pela Petrobras e outras estatais que geram lucro (como Banco do Brasil, Caixa Econômica, etc).
    Os salários dessas estatais são compatíveis com os pagos pelo mercado privado: Banco do Brasil e Caixa com os bancos privados e Petrobras com as empresas de petróleo.
    Mas o Sr. Delarue acha que auditor fiscal deve ser comparado aos trabalhadores das empresas de petróleo…

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    • Jailton disse:

      O problema na verdade é de gerenciamento. O verdadeiro servidor público, aquele que fez concurso, que veste a camisa do serviço público, quer fazer carreira e dar o melhor de sí. O governo, incha a folha com comissionados temporários, a maioria deles cabos eleitorais que não têm compromisso com a administração (salvo raras exceções) e depois coloca a culpa das crises no serviço público. Se o governo administrasse a máquina com príncípios que norteiam a iniciativa privada (como faz a petrobrás e outras estatais) haveria condições para pagar bons salários e o serviço seria de muito mais qualidade !

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    • Fábio disse:

      E as centenas de bilhões que a Petrobras recebe de subsídios do governo federal? Não contam?

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      • L.F. disse:

        Psiu, fala baixo Fabio, isso não vem ao caso. O que vale aqui é desqualificar e desmontar órgãos de fiscalização e investigação – e não pergunte o porquê.

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    • carlos gama disse:

      Essa afirmativa não é verdadeira. Mesmo sendo uma sociedade de economia mista, é controlada pelo governo brasileiro e pega dinheiro do BNDES a juros muito menores do que os que o BNDES paga quando capta dinheiro no exterior. E o dinheiro do BNDES é dinheiro público, ou seja: nosso dinheiro.

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    • Fernando disse:

      Essa argumentação toda é absolutamente improdutiva. De um lado, porque a Petrobrás é uma empresa de barnabés, tanto quanto o serviço público está lotado deles. A Petrobrás não opera em mercado coisa nenhuma. Opera em regime de monopólio. É altamente ineficiente e, para investir, recorre sistematicamente ao caixa do Tesouro Nacional. Do outro lado, a classe dos servidores públicos é muito heterogênea. Há servidores de alto nível e há servidores (a maioria) que, simplesmente, não têm nível algum. Não nos esqueçamos que o concurso público é um fenômeno relativamente recente na administração pública brasileira.
      De qualquer modo, eu sugeriria uma faxina completa. Na Petrobrás e no núcleo da administração pública. Precisamos de organizações mais enxutas, eficientes, menores e ágeis.
      Agora, reconheçamos: que o serviço público dispõe dos melhores quadros profissionais do País, haja vista a realização dos concursos públicos, disso eu não tenho a menor dúvida.

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    • newton disse:

      É muita besteira escrita… infelizmmente nois veve nũa colonha chamada Brazilll

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  3. Fernando luis disse:

    Antonio, teu comentário é preconceituoso. Talvez porque você nunca conseguiu entrar para o serviço público federal, tenha essa visão equivocada da função do servidor público. Impressionante como a hipocrisia da sociedade brasileira vem à tona nesses casos. Se o governo cumprisse a Constituição, que manda repor as perdas salariais dos seus servidores, não teríamos esse problema.

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  4. Samuel Ritter disse:

    Os servidores públicos estão com salários surreais em relação a população brasileira. Lamentavelmente, eles tem o poder nas mãos, podem paralisar sem terem o ponto cortado, por isso nada perdem não importa quantas greves façam ou por quanto tempo. Greve remunerada é equivalente a férias. CORTEM O PONTO DELES E VERÃO SE ESTÃO TÃO INDIGNADOS COM OS SALÁRIOS ASSIM.

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  5. Não publicaram meu comentário de há pouco! Porque é a verdade nua e crua! Reconsiderem se quizerem ser lidos futuramente!

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    • newton disse:

      É isso aí, sr Marcos Pinto, estamos amordaçados; essa é a colonha Brazil da mentira; a segurança, a saude e educação, só funcionam na midia.

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  6. Astrogildo Araujo disse:

    O servidor publico vem sendo roubado por esse governo, dou como exemplo a insalubridade no governo federal e pago em valor fixo e congelado sabe-se lá por quantos anos, e o setor publico e um percentual em cima dos salarios e esse inbecil diz que os salario da petrobas e justos concordo mas quem pagou a estrutura da petrobas foi dinheiro dos nossos impostos mas capital privado e não excluzivo privado e que as greves são ferias remuneradas, mil vezes trabalhar que ficar brigando para ter agua, para se beber dentro da repartição, a troca de uma lampada demora 10 meses dentro de uma sala, os banheiros vivem interditados por falta de reforma, não tem nem papel hegienico, detergente, caneta, boletins de serviço, como papel para medico da um atestado medico e mas uma porção de outras coisas salario justo.

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  7. HAROLDO STEINKOPF FILHO disse:

    COMEÇO DIZENDO QUE ESTE MODELO ADMINISTRATIVO DO BRASIL HÁ MUITO ESTÁ FALIDO. É PRECISO DENTRE OUTRAS REFORMA ADMINIS
    TRATIVA. COMEÇA COM A POLITICA DE PESSOAL E TERMINA COM MODE
    LO LICITATIVO. NESTE PAÍS EM QUE VIVEMOS AS PESSOAS NÃO TEM RES
    PONSABILIDADE COM SEUS DIREITOS E MUITO MENOS DEVERES. DIZ QUE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DE UM PAÍS É O ESPELHO DE TODAS ADMINISTRÇÕES; COMO PODEMOS FALAR DESSE MISTER SE O GOVÊR
    NO É O PRIMEIROA INFRINGIR AS REGRAS POR ELE CRIADA. HÁ MUITO VIVEMOS UM CAOS ADMINISTRATIVO GUINDADO PELO EXCESSO DE BU ROCRACIA CANHESTRA QUE SÓ SERVE PARA ATRANVACAR O BOM AN
    DAMENTO DAS COISAS. SE ESTE PAÍS FOSSE SÉRIO COBRARIA DE SI MESMO LISURA NOS PROCEDIMENTOS, DARIA A SEU FUNCIONSLISMO O JUSTO E COBRARIA DOS MESMOS PRODUÇÃOA EXEMPLO DA INICIATI
    VA PRIVADA, E EQUIPARARIA AOS MESMOS QUE PAGA A CONTA, SEM AS BENÉCIS DO GOVERNO FEDERAL.

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  8. ayres disse:

    este pessoal que e contra servidor bem remunerado, esquece que quando fazem barberagem numa estrada e se acidentam quem da o primeiro socorro pra salvar a vida deles e o funcionario publico ai ele e transferido para um hospital 5 estrelas, mas se esquece de quem livrou ele da morte, esquece tambem que quem faz o diagnostico dele quando tem cancer, e funcionario publico, quem produz medicamentos para ipertensao e outras doenças que ele pega de graça sao funcionarios publicos, enfim , nao seja hipocrita, reflita,

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  9. roger disse:

    NAO CONCORDO COM A MAIORIA DESSES FUNCIONARIOS QUE ESTAO FAZENDO GREVE, A MAIORIA DELES SAO MUITO BEM REMUNERADOS, BEM ACIMA DA MEDIA DO POVO BRASILEIRO, TAO SE APROVEITANDO DA EPOCA DE ELEIÇÃO,,ALGUMAS CATEGORIAS, COM CHEGAM A SER ABUSIVAS, O QUE TA ACONTECENDO POR EXEMPLO, COM A ANVISA, FALTANDO MEDICAMENTOS, PRA TRATAMENTO DE CANCER E OUTROS, E ELES NAO ESTAO NEM AI PRA POPULAÇÃO, CHEGA A SER CRIMINOSO O QUE ESTAO FAZENDO COM A POPULAÇÃO DEVERIAM SER RESPONSABILIZADOS CRIMINALMENTE, ESTAO CHORANDO DE BARRIGA CHEIA, E NÓS FICAMOS A MERCE DESSE PESSOAL..GREVE ELES TEM DIREITO SIM COM CERTEZA, E OS NOSSOS DIREITOS DE CIDADAO, CADE?? CHEGA DE ABUSO…

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  10. Hamilton disse:

    Simplesmente para qualquer GOVERNO, só é gente quem trabalha no Comgresso Senado e Camara Federal. Sabem porque? “ESTOMAGO DE SENADOR é de OURO os de DEPUTADOS São de PRATA e dos servidores de COURO e do Povão é de TRIPA mesmo.

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  11. José Caminha de oliveira disse:

    Fiz um comentário técncio e juridico e não saiu. Por que?

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  12. Lucas disse:

    Afinal, se o serviço público remunera tão mal assim, porque fez concurso? Porque não teve coragem de enfrentar o mundo aqui fora? Porque preferiu se escorar em mim???
    Se é tão bom assim, que merece ganhar uma fábula, porque não pega teu curriculum e vai bater na empresa privada??? Encara o mundinho aqui fora valentão….

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  13. Samuel Ritter disse:

    O funcionalismo público tem os maiores salários do Brasil, mesmo assim fazem greve e se aproveitam que seu ponto nunca é cortado, ou seja, sempre recebem pelos dias parados. Isso não é greve, mas férias remuneradas. Negociar com esse tipo de gente seria um grande erro!!!

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  14. Inácio de Almeida disse:

    Os auditores fiscais e os policiais federais falam, falam, mas não divulgam os valores dos seus salários.
    Todos ganham acima dos 14 mil reais, salários que comparados a do restante dos trabalhadores brasileiros chega a ser absurdo. E querem mais. A mesma distorção ocorre no judiciário, onde um entregador de petição, trabalho que pode ser feito por um carteiro, ganha quase 10 mil reais. No senado, a mesma coisa, um servidor de cafezinho ganha mais do que um médico da previdência ou do exército.
    É preciso fazer urgente um realinhamento salarial neste país.
    A bagunça chegou a um ponto tal que um simples SARGENTO DE POLÍCIA, PM de BRASÍLIA, ganha mais do que um GENERAL DE EXÉRCITO. Em que outro país do mundo um sargento de polícia ganha mais do que um general?
    REALINHAMENTO SALARIAL URGENTE!
    Ou as greves continuarão a se suceder.

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