Lava Jato: delator diz que Odebrecht tinha banco para pagar propina

Vinícius Veiga Borin, um dos executivos apontados como operador do chamado “Departamento de Propina”, afirmou que a partir do “volume de dinheiro e estrutura criada”, seria “impossível” o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, não ter conhecimento dos pagamentos efetuados

Rovena Rosa/Agência Brasil

Oficiais da Polícia Federal chegam à sede da Odebrecht para cumprir fase da Lava Jato

Delator da Operação Lava Jato e um dos executivos apontados como operador do chamado “Departamento de Propina” da Odebrecht, Vinícius Veiga Borin afirmou em depoimento que a empreiteira controlou 42 contas offshores no exterior destinadas a distribuir dinheiro ilícito. De acordo com ele, a maior parte delas foi criada depois da aquisição da filial do banco Meinl Bank Antigua, no fim de 2010. Segundo as investigações, o setor de propinas era inteiramente voltado ao pagamento de valores desviados de contratos com a Petrobras e dispunha de funcionários dedicados e um sistema eletrônico desenvolvido especificamente para essa atividade.

Segundo reportagem do Estadão, Borin mencionou a realização de transferências consideradas “suspeitas” por parte de contas associadas à empreiteira. De acordo om o delator, as movimentações financeiras totalizaram pelo menos US$ 132 milhões. Vinícius Borin assinou a colaboração judicial na última sexta-feira (17), e o teor das declarações feitas ainda precisa de homologação do juiz Sérgio Moro para ganhar validade constitucional.

O operador detalhou 29 contas no exterior que foram abastecidas pelos repasses. Entre elas a offshore Shellbill que, a partir de informações da equipe de investigadores, é de propriedade do marqueteiro João Santana, responsável por campanhas eleitorais de Lula e Dilma Rousseff. Santana já está preso. Vinícius Borin disse que a conta recebeu cerca de US$ 16 milhões provenientes de três offshores da empreiteira.

Borin também afirmou que, no começo, a ideia da empreiteira era comprar o banco falido Antigua Overseas Bank (AOB), mas acabou desistindo do negócio devido à má condição financeira da instituição. A partir daí, os executivos da Odebrecht miraram o banco Meinl, comprado com intuito exclusivo de realizar as transferências. À época, 51% da filial do banco austríaco foi comercializado por US$ 4 milhões. Um dos objetivos era preservar as contas secretas da empreiteira.

Além de detalhar o esquema de pagamento de propinas, Vinícius Borin destacou que as contas da empresa movimentaram US$ 1,6 bilhões no Meinl Bank e US$ 1 bilhão no AOB. Ainda de acordo com o depoimento do operador, “pelo volume de dinheiro e pela estrutura criada” seria “impossível” o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, não ter conhecimento dos pagamentos efetuados. Marcelo é outro preso da Lava Jato e negocia delação premiada.

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Leia a íntegra da matéria publicada pelo Estadão

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