Joesley diz ter dado R$ 110 milhões a Aécio em 2014. Veja mais seis acusações após senador virar réu

Lula Marques

Cercado de acusações por todos os lados, Aécio é alvo de diversos procedimentos investigatórios no STF

 

Agora réu no Supremo Tribunal Federal (STF), onde também é alvo de oito inquéritos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tem enfrentado uma onda de acusações cada vez mais crescente, a maior parte delas devido a relatos do empresário Joesley Batista, da JBS, em delação premiada à Justiça. Em uma das mais recentes, a partir de depoimento à Polícia Federal na última quinta-feira (19), Joesley diz ter repassado R$ 110 milhões a Aécio, em 2014, para sua campanha presidencial em 2014. Mas o parlamentar recebeu outras acusações (leia mais abaixo) depois de iniciada, na última terça-feira (17), a ação penal que o investiga por corrupção e obstrução de Justiça.

Nesta nova denúncia, Joesley diz que os repasses a Aécio foram feitos como contrapartida pelo apoio do senador aos negócios do Grupo J&F, controlador da JBS. Segundo o jornal O  Globo, o delator apresentou à PF uma planilha com registros das doações ao tucano, além de notas fiscais e recibos com informações para comprovar os repasses.

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Joesley disse aos investigadores que o montante foi dividido entre PSDB (R$ 64 milhões), PTB (R$ 20 milhões) e Solidariedade (R$ 15 milhões). Ainda segundo o empresário, outros R$ 11 milhões tiveram como destino campanhas de aliados de Aécio na corrida presidencial de 2014. Todos os repasses foram feitos de maneira criminosa, aponta a investigação.

As demais denúncias contra o senador são igualmente comprometedoras e terão apurações aprofundadas nos próximos dias. Algumas delas com potencial de virar ação penal seja no STF, onde Aécio é protegido pela prerrogativa do foro privilegiado, seja nas instâncias inferiores da Justiça.

Abaixo, veja as demais acusações que podem ameaçar os próximos planos eleitorais de Aécio, que por pouco não foi eleito presidente da República em 2014:

– ex-ministro da Justiça, o deputado Osmar Serraglio (MDB-PR) acusa Aécio de pressioná-lo para nomear um delegado da PF indicado pelo peessedebista “para investigar suas ações delituosas”. A esse propósito, o senador teve fala gravada por Joesley em que diz o seguinte sobre Serraglio: “O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (…). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim [sic] um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, dois mil delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João”;

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– como este site mostrou mais cedo, a parti de reportagem do jornal O Globo, uma emissora de rádio chamada Arco Íris estava registrada em nome de Aécio e de sua irmã Andrea Neves (também ré), em 2011, quando o senador foi parado em uma blitz da Lei Seca a bordo de uma Land Rover. Era madrugada, e o tucano se negou a soprar o bafômetro. Com a carteira de habilitação apreendida, descobriu-se que Aécio omitia da Receita Federal não só a participação na rádio, em cujo nome estava o carro de luxo, mas também sonegava informação sobre o próprio automóvel;

– Joesley também disse, como revelou a Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (20), que pagou em “mensalinho” de R$ 50 mil ao tucano por dois anos, tendo a rádio Arco Íris como intermediária. A emissora é familiar e Aécio era um de seus sócios. Ou seja: caso fique comprovada a acusação, o senador atuou, por dois anos seguidos, como uma espécie de executivo de luxo do Grupo J&F no Congresso. Novamente, a Arco Íris no roteiro: foram 16 notas fiscais emitidas em nome da emissora entre 2015 e 2017;

– também segundo Joesley, o senador lhe pediu R$ 18 milhões para quitar dívidas da campanha contraídas no pleito presidencial de 2014. Segundo o relato, ficou acordado que a negociata seria forjada na compra de um prédio em Belo Horizonte;

– dono da empreiteira que batiza, Marcelo Odebrecht, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, diz ter repassado R$ 50 milhões ao tucano, dos quais R$ 30 milhões por parte da própria Odebrecht. Os outros R$ 20 milhões, segundo a delação, foram bancados por outra empreiteira, a Andrade Gutierrez. Esse acerto, segundo investigadores, envolve a usina hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, na capital de Rondônia, Porto Velho;

– Sérgio Andrade, dono da Andrade Gutierrez, também faz acusações a Aécio. O empresário confirma repasse de R$ 35 milhões a Aécio, em 2010, por meio de contrato firmado com uma empresa de Alexandre Accioly, conhecido amigo de Aécio. A operação também serviu para maquiar o repasse de recursos ao senador.

 

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