Sábado, 29 de Abril de 2017

Fiscais agropecuários defendem Operação Carne Fraca e o fim de indicações políticas

Presidente do sindicato nacional da categoria diz que é preciso “separar o joio do trigo” e que gestores do Ministério da Agricultura e Pecuária deveriam ser indicados por mérito, e não por influência política

“A esmagadora maioria dos profissionais da carreira são éticos e comprometidos com a qualidade e segurança dos alimentos", diz presidente do sindicato

O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Maurício Porto, defendeu a Operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira (17) pela Polícia Federal, e cobrou o fim das indicações políticas para cargos de gestão no Ministério da Agricultura. Em mensagem gravada em vídeo, ele disse que a operação teve como ponto de partida um processo administrativo aberto no Ministério da Agricultura e Pecuária a pedido dos próprios fiscais em 2010.

Maurício afirmou que o momento é de “separar o joio do trigo”. “A esmagadora maioria dos profissionais da carreira são éticos e comprometidos com a qualidade e segurança dos alimentos consumidos pela população brasileira. O Anffa Sindical defende e reivindica processos meritocráticos na indicação de gestores do Ministério da Agricultura, visando o fim da interferência de indicações políticas”, declarou.

Veja o vídeo:

JBS e BRF

A Operação Carne Fraca executou nessa sexta 38 mandados de prisão e 77 de condução coercitiva, além de 194 de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Goiás e Santa Catarina. Essa é considerada a maior operação policial já realizada no país. Segundo a Polícia Federal, o esquema era liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. Executivos do frigorífico JBS e do grupo BRF foram presos. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de cerca de R$ 1 bilhão das empresas envolvidas.

Na decisão judicial, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal do Paraná, relatou um “cenário desolador”. “Resta claro o poderio de intimidação, de influência e de uso abusivo de cargos públicos que ostentam para se locupletarem, recebendo somas variáveis de dinheiro e benesses in natura das empresas que deveriam fiscalizar com isenção e profissionalismo”, diz o magistrado.

Parte do dinheiro da propina paga pelas empresas envolvidas na Operação Carne Fraca era destinado à campanha eleitorais de partidos políticos, notadamente o PP e o PMDB. A informação foi divulgada pelo delegado da Polícia Federal, Maurício Grillo, em entrevista coletiva concedida em Curitiba.

O delegado informou que ainda não é possível apontar o volume de propina movimentada pelo grupo. Nas buscas e apreensões, foi encontrado, por exemplo, um maço de dinheiro, no valor de R$ 65 mil, no bolso do casado de um superintende do Ministério da Agricultura. Os policiais encontraram dinheiro vivo na casa de vários fiscais suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção.

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