Fachin levanta sigilo das delações de João Santana e Mônica Moura

Agência Brasil

Mônica Moura e João Santana foram marqueteiros em campanhas de Lula e Dilma

 

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (11) o levantamento do sigilo do teor das delações premiadas do publicitário e marqueteiro João Santana e de sua esposa, Mônica Moura, firmadas com o Ministério Público Federal (MPF). O ministro havia homologado as delações no dia 4 de abril. Desde então, elas têm validade jurídica. Os depoimentos seguiam em segredo de Justiça até hoje.

O casal João Santana e Mônica Moura deixou a cadeia em agosto do ano passado. Os dois foram presos na 23ª fase da Lava Jato, em fevereiro de 2016. De acordo com o MPF, foram encontrados indícios de que Santana recebeu US$ 3 milhões de offshores ligadas à Odebrecht, entre 2012 e 2013, e US$ 4,5 milhões do engenheiro Zwi Skornicki, entre 2013 e 2014.

Para a Polícia Federal e o MPF, os valores são provenientes de propina de contratos na Petrobras. Santana e Mônica confirmaram ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, que US$ 4,5 milhões correspondem a pagamento realizado por Skornick. De acordo com os dois, o valor se refere a pagamento de caixa dois da campanha presidencial de Dilma em 2010.

O casal foi responsável pelo marketing da campanha de Dilma nas eleições de 2010 e 2014, além da campanha do ex-presidente Lula em 2006. Mônica Moura disse ter recebido valores da Odebrecht em contas no exterior – dinheiro referente a caixa dois da campanha presidencial. Além disso, na delação, ela assumiu que mentiu em depoimento anterior “para preservar’ a petista, que ainda exercia o cargo de presidente.

Durante o depoimento, a marqueteira disse ainda ter recebido pagamentos da empreiteira dentro e fora do país, relativos às campanhas de 2006, 2010, 2012 e 2014. Até 2010, ela afirmou que os valores eram combinados com Palocci. Já a partir de 2014, o ex-ministro Guido Mantega passou a ser o responsável. Os repasses, de acordo com ela, eram “sempre” pagos pela Odebrecht. A existência do acordo de delação do casal foi revelada no dia 4 de abril pelo vice-procurador Eleitoral, Nicolao Dino.

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