Empresas de transporte negam que soneguem informações sobre assaltos a fortalezas e carros-fortes

Em nota enviada ao Congresso em Foco, a assessoria de imprensa da Associação Brasileira de Transportes de Valores (ABTV) nega que empresas do setor soneguem informações sobre assaltos e roubos a bases e carros-fortes. O comunicado contesta reportagem publicada pelo site e pela Revista Congresso em Foco.

Os assaltos dessa natureza são um negócio de alta lucratividade e baixo risco, apontam especialistas. Essa demora e a sucessão de correções nas cifras roubadas intrigam profissionais das áreas de segurança pública e de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.

Dados das polícias civis, da Federação Nacional dos Policiais (Fenapef), da área de inteligência da Polícia Federal e de seguradoras levantados pela Revista Congresso em Foco mostram que pelo menos R$ 343 milhões foram roubados de carros e bases fortes apenas nos últimos dois anos.

A associação contesta a informação. “Todo o processo de notificação de valores é realizado cumprindo rigorosamente a legislação vigente e segue procedimentos criteriosos de contabilidade. O roubo de uma base de transporte de valores ou de um carro forte, na maioria das vezes implica em uso de explosivos, que termina por dificultar a contagem do numerário, que muitas vezes inicia-se ainda sob os escombros de uma explosão.”

Em sua nota, a associação contesta uma informação que sequer está no texto. Afirmou ser “inverídica” uma suposta afirmação de “morosidade no registro de uma ação criminosa pelas empresas”. O que a revista diz é que a morosidade, apontada por especialistas e comprovada com documentos, não está no registro da explosão, mas na divulgação do valor roubado.

O Congresso em Foco reafirma o teor da reportagem.

Veja a íntegra da nota da Abav e a resposta da redação:

“A ABTV repudia veementemente as especulações sem fundamento feitas pelo jornalista Eduardo Militão. O jornalista afirma existir morosidade no registro de uma ação criminosa pelas empresas de transporte de valores. Tal afirmação é totalmente inverídica. Inicialmente, esclareça-se que o registro de ocorrência é feito pelas próprias autoridades policiais que são notificadas imediatamente quando da realização dos ataques – seja a bases de transporte de valores, seja a carros-fortes, até mesmo porque tais ocorrências são divulgadas pelos meios de comunicação. Cite-se que todos os casos mencionados pelo jornalista receberam ampla cobertura da imprensa horas após as ocorrências. O jornalista desinforma ainda o leitor ao dizer que as “empresas escondem” informações das autoridades, desvirtuando fatos e fazendo acusações sem fundamento e sem conhecimento técnico. Todo o processo de notificação de valores é realizado cumprindo rigorosamente à legislação vigente e segue procedimentos criteriosos de contabilidade. O roubo de uma base de transporte de valores ou de um carro forte, na maioria das vezes implica em uso de explosivos, que termina por dificultar a contagem do numerário, que muitas vezes inicia-se ainda sob os escombros de uma explosão. A contabilidade do caixa-forte ou carro sinistrado são checadas e auditadas para que a informação seja precisa. As empresas de transporte de valores, por força de regulamentação federal, comunicam essas ocorrências em 24 (vinte e quatro) horas para a Polícia Federal, utilizando-se de um sistema público de gestão de segurança privada disponibilizado por aquele órgão. Por fim esclarecemos que as empresas, ao longo do inquérito, fornecem todas as informações necessárias as autoridades, colaborando para que as investigações das autoridades encontrem os criminosos. A ABTV reafirma que todas as bases operacionais e atividades das empresas de transporte de valores são amplamente e rigorosamente fiscalizadas pela Polícia Federal, seguindo a legislação brasileira e padrões internacionais de registro de operações.

Assessoria de Imprensa ABTV”

Veja a nota da redação sobre o assunto:

Ao contrário do que diz a ABTV, a própria reportagem da Revista Congresso em Foco, reproduzida neste site, não diz existir “morosidade no registro de uma ação criminosa”. A revista diz que há demora na prestação da informação do valor roubado que compõe esse registro, o boletim de ocorrência, e, para sustentar essa afirmação, usa, por exemplo, boletins de ocorrência e informações oficiais das Secretarias de Segurança Pública. Portanto, não é possível dizer que “tal afirmação é totalmente inverídica” ou verídica se ela sequer foi feita. Além disso, como mostra a própria reportagem, a revista revela a análise de três especialistas em segurança devidamente identificados, que enxergam que existem informações não reveladas ou feitas com atraso pelas empresas, conjunto de avaliações que foi confrontado com a resposta da ABTV – as empresas se negaram a conversar com a revista -, que foi publicada também. A revista não responderá a adjetivos e a outras percepções subjetivas sobre si e sobre seus profissionais.

Redação do Congresso em Foco

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