Quinta, 27 de Abril de 2017

Em período de racionamento no DF, prédios públicos aumentam gasto com água

Até mesmo a Caesb aumentou os gastos entre dezembro e janeiro, utilizando 16,56% a mais de água que o habitual

 

Divulgação/Agência Brasil

Nível de água do Descoberto registra queda histórica

 

Desde novembro do ano passado moradores do Distrito Federal e das Regiões Administrativas buscam alternativas para economizar água e driblar o racionamento. Motivado pela maior crise hídrica já vivida pelo Planalto Central, o sistema de interrupção no abastecimento de água das residências foi uma alternativa encontrada pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) para aumentar os níveis dos reservatórios do Descoberto e de Santa Maria. Ambos em situação crítica. Apesar de todo o esforço dos moradores da capital, prédios públicos, que deveriam dar exemplo, ampliaram os consumos de água. As informações foram divulgadas pelo portal G1 na manhã deste domingo (19).

Até mesmo a Caesb aumentou os gastos entre dezembro e janeiro, utilizando 16,56% a mais de água que o habitual. Questionada, a empresa explicou que neste período realizou a “lavagem dos reservatórios”. Ou seja, enquanto moradores do DF tiveram o abastecimento de água interrompido, a Caesb utilizou vários litros para limpar as próprias caixas.

Outro caso que chama a atenção é do Ministério do Meio Ambiente, pasta responsável por gerenciar os recursos hídricos federais. Entre novembro e dezembro de 2016 o consumo de água no prédio instalado na Esplanada dos Ministérios aumentou 18%. E continuou subindo em janeiro. De acordo com a direção do ministério, o consumo aumentou pela falta de chuvas no período. Além disso, cita a direção, foram contratados 106 novos servidores em dezembro.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também não economizou. Nos meses de dezembro e janeiro, o gasto hídrico da Corte aumentou 41,26%. Os dados foram fornecidos pelo próprio tribunal ao G1. Apesar de o Supremo atribuir o salto de gastos ao recesso do Judiciário para explicar a diferença de consumo nos dois meses citados, as férias coletivas do STF começaram em 19 de dezembro de 2016 e se estenderam até 1º de fevereiro deste ano. No período, ministros e assessores continuaram utilizando os gabinetes para realizar despachos internos, o que não explica o exorbitante aumento do consumo em janeiro. Mesmo assim, a Corte afirma que houve uma economia de cerca de 7% no consumo entre 2015 e 2016.

Já a Câmara Legislativa do DF aumentou a utilização de água nas dependências do prédio em 23% entre novembro e dezembro. Nota enviada pela Casa não explica o motivo do aumento, mas destaca que registrou, em 2016, um dos menores consumos de água da sua história.

Eficiência

Apesar do descaso de alguns órgãos, outros chamam atenção pela economia expressiva. A melhor eficiência na contenção de consumo de água foi alcançada pelo Palácio do Planalto. O prédio conseguiu reduzir em 73% na quantidade de água utilizada para a manutenção e limpeza do espaço. Em nota, o Planalto afirmou que desde novembro adotou uma série de mudanças de atitude, como a diminuição da frequência da irrigação do gramado e da limpeza do espelho d’água.

No Palácio do Buriti, sede do Executivo local, o consumo foi reduzido em 67,3% na comparação de novembro e dezembro de 2016 com o mesmo período de 2015. O governo afirmou que também está na lista de mudanças a modernização dos hidrômetros, aparelhos sanitários e sistema de manutenção da água no prédio.

Jatos d’água

Na última sexta-feira (17), o Congresso em Foco publicou uma matéria que mostrou funcionários do Senado utilizando jatos d’água para lavar paredes do prédio durante cinco horas. Servidores contaram ao site que a lavagem começou às 9h30 e seguiu ininterruptamente até as 12h. Depois, retornou às 13h e foi até as 16h. Em nota, a assessoria do Senado explicou que não se trata simplesmente de uma ação de limpeza das paredes, mas sim de uma “obra de engenharia que visa à recuperação da fachada de concreto aparente”. A restauração custou ao todo R$ 728 mil e deve continuar até julho.

Por questão de “segurança nacional”, a Praça dos Três Poderes é poupada do racionamento de água, assim como os hospitais públicos. Segundo a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), as sedes do Judiciário, Legislativo e Executivo federal são geridas pela União e, por isso, não podem ser incluídas no rodízio.

Leia a íntegra da matéria publicada pelo G1

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