Dilma e Serra intensificam corpo a corpo e miram MG

Marina foi a mais votada em Belo Horizonte, cidade onde Dilma e Serra pretendem encerrar a campanha eleitoral

Marina foi a mais votada em Belo Horizonte, cidade onde Dilma e Serra pretendem encerrar a campanha eleitoral

Renata Camargo

Na reta final da campanha eleitoral, as agendas dos dois candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), devem se cruzar em, pelo menos, quatro ocasiões. O primeiro momento será neste domingo (24) no Rio de Janeiro, onde a petista e o tucano participarão de atos de campanha. Ao longo da semana, eles ficarão frente a frente em dois debates: um na TV Record, na segunda-feira (25), e outro na TV Globo, na sexta-feira (29).
 
Mas o clima de disputa tende a esquentar mesmo nas vésperas da ida dos eleitores às urnas. Dilma e Serra pretendem encerrar a campanha eleitoral no segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais, onde votam 14,51 milhões de eleitores. Coordenadores das duas candidaturas planejam encerrar as respectivas campanhas em atos silenciosos pelas ruas da capital mineira, Belo Horizonte.
 
Petistas e tucanos estão de olho, especialmente, nos mais de 2 milhões de votos obtidos no estado pela candidata do PV à Presidência, Marina Silva, derrotada no primeiro turno. A candidata do Partido Verde foi a campeã de votos em Belo Horizonte. No primeiro turno, Serra obteve 3,3 milhões de votos em Minas, enquanto Dilma recebeu cerca de 5 milhões de votos. O ex-governador paulista também mira os 7,5 milhões de eleitores que elegeram senador o tucano Aécio Neves.
 
A cartada final dos dois candidatos será no sábado (30). De acordo com as regras eleitorais, nessa data, os candidatos não poderão mais realizar propaganda política por meio de comícios e uso de aparelhagem de som. Por conta disso, a campanha tucana prepara uma caminhada pelas ruas de Belo Horizonte; os petistas deverão realizar uma carreata “silenciosa” a favor de Dilma também na capital mineira.
 
Pesquisa do instituto DataTempo/CP2, divulgada na última quarta-feira (20) pelo jornal O Tempo, mostra Dilma na liderança da corrida presidencial em Minas Gerais. De acordo com o levantamento, a petista está com 51,22% das intenções de votos contra 38,37% de Serra. No cenário apresentado pela pesquisa, 6,16% dos entrevistados estão indecisos. A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 19 de outubro.
 
No primeiro turno, os dois candidatos também estabeleceram estratégias semelhantes na reta final de campanha. Dilma e Serra encerraram a primeira etapa da campanha no estado que concentra o maior eleitorado brasileiro, São Paulo. Serra participou de evento na zona leste da capital paulista, enquanto Dilma encerrou a campanha no primeiro turno em uma carreata em São Bernardo do Campo, na região da Grande São Paulo.
 
Reta final
 
O prazo final para comícios e uso de carros de som é dia 28, próxima quinta-feira. Ao lado do presidente Lula, Dilma deve encerrar sua campanha oficial em Pernambuco, em ato na Praça Marco Zero, no centro de Recife. Serra pretende fazer sua última incursão oficial de campanha em Minas Gerais.

Na manhã deste domingo, o tucano participará de uma caminhada com eleitores na orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A candidata petista participará de uma carreata na Zona Oeste da capital fluminense. Também está prevista a saída de um bloco carnavalesco pró-Dilma, na Zona Sul carioca. Para evitar conflito, militantes do PT decidiram ontem (23) adiar a concentração do Bloco da Dilma para o período da tarde.
 
A tensão entre petistas e tucanos na capital fluminense ficou evidente nos sites de relacionamento. Ontem, militantes dos dois partidos trocaram provocações na internet. Apoiadores de Dilma convocavam seus militantes para uma “chuva de bolinhas de papel” no evento tucano e eleitores de Serra chamavam aliados a seguirem a carreata petista para “obrigarem Lula e Dilma a pedirem desculpas”.
 
O embate entre militantes do PT e do PSDB se intensificou na última quarta-feira (19), quando o candidato tucano foi acertado por objetos na cabeça durante caminhada na Zona Oeste do Rio, após tumulto entre militantes dos dois partidos. A confusão não parou por aí. Os dois lados usaram as imagens no horário eleitoral numa troca de acusações. Em um comício o presidente Lula comparou Serra ao goleiro chileno Roberto Rojas, que simulou ter sido ferido por um rojão durante partida no Maracanã, em 1989, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Serra reiterou que foi agredido e acusou o presidente de incitar a violência.

Para evitar novos conflitos, a coordenação do PT, em nota oficial divulgada na sexta-feira (22), pediu a seus militantes para evitarem “aglomerações e atos de campanha na orla de Copacabana durante” a caminhada dos militantes tucanos.

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