Deputados votam destaques da reforma da Previdência com policiais armados e Câmara fechada

Marcelo Camargo/ABr

Acesso da Câmara está cercado por grades

 

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Carlos Marun (PMDB-MS), rejeitou o apelo de deputados da oposição para suspender a votação dos 12 destaques à proposta e solicitar ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a reabertura das entradas da Casa, fechadas com grades e liberadas apenas a servidores e profissionais credenciados. Os oposicionistas também cobraram, sem sucesso, a retirada de policiais legislativos armados das dependências da Câmara. Até agora a comissão votou somente um destaque, para manter na Justiça estadual as ações contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Logo no início da reunião, durante apresentação das questões de ordem, os deputados Ivan Valente (Psol-SP), Pepe Vargas (PT-RS), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), André Figueiredo (PDT-CE), Bebeto (PSB-BA) e Alessandro Molon (Rede- RJ) pediram a suspensão da sessão para pedir a Rodrigo Maia a retirada das grades e a liberação do acesso do público externo.

A oposição também reclamou da presença de policiais legislativos portando armas de fogo dentro da Câmara. “Não me lembro, em 20 anos de casa, de polícia entrar armada aqui dentro. Isso pode degenerar para qualquer coisa”, disse o deputado Valente, sustentando que a situação é inconstitucional.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Além das grades, policiais militares e legislativos reforçam esquema de segurança da Câmara nesta terça-feira (9)

Marun ignorou a solicitação dos oposicionistas. Segundo ele, o cerco era uma “medida excepcional” para garantir a liberdade de voto dos deputados de acordo com suas convicções pessoais. O peemedebista permitiu apenas a entrada daqueles que haviam sido convidados pelos partidos para as discussões do relatório e que possuíam senha de acesso à Casa, atendendo a pedido do deputado petista Pepe Vargas. “Os partidos têm responsabilidade sobre quem convidam”, ressaltou Marun.

A restrição de acesso e o uso de policiais armados foram medidas adotadas para evitar protestos, como os da semana passada, quando agentes penitenciários interromperam a votação dos destaques e ocuparam o plenário da comissão. Eles protestavam contra a decisão do relator, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), de excluí-los da lista das categorias beneficiadas com aposentadoria especial.

O deputado governista Julio Lopes (PP-RJ) afirmou que o pedido dos oposicionistas para interromper a sessão para pedir que presidente da Câmara revogasse o cerco era uma “demagogia detestável”, o que gerou reação. Marun pediu para que o deputado retirasse suas palavras, mas Lopes disse ter “direito a manifestar sua opinião”.

A bancada do Psol promete fazer manifestação em uma das entradas da Câmara, no início da tarde, para protestar contra o cerco à Casa.

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