Deputados pró-Aécio acusam Tasso de usar máquina partidária para manter comando tucano

Marcos Oliveira / Agência Senado

Deputados dizem que Tasso já havia trocado presidentes de diretórios para ter vantagem na eleição interna marcada para 9 de dezembro

 

Pouco após o anúncio da destituição do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) da presidência do partido, deputados aecistas comentavam a decisão no plenário da Câmara. Aécio comunicou ao colega, na tarde desta quinta-feira (9), que reassumia o partido e indicava o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman para conduzir o partido até a convenção nacional que deverá escolher um novo presidente, em 9 de dezembro. Os deputados aliados a Aécio afirmam que, agora, Tasso terá de ganhar o pleito interno “no voto”.

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A reportagem do Congresso em Foco entreouviu uma conversa entre três tucanos cerca de uma hora após a decisão de Aécio ter se tornado pública. Um deles afirmou que, a partir de agora, Tasso teria de ganhar as eleições no voto, sem usar a máquina do partido a seu favor, segundo esse relato. “Na canetada, até eu!”, afirmou um deles.

Questionado pelo Congresso em Foco, outro integrante desse grupo afirmou que Tasso já havia trocado presidentes de pelo menos dois diretórios tucanos, no Maranhão e na Bahia, por terem posições divergentes da sua, e ameaçava fazer o mesmo em Pernambuco. Para eles, Tasso estava usando a influência da presidência interina para tentar garantir os votos necessários para ser eleito.

Aécio foi pessoalmente ao gabinete de Tasso nesta quinta para avisá-lo de que estava de volta ao comando tucano. A decisão provocou uma onda de protestos dos chamados “cabeças pretas” do PSDB, que querem a renúncia de Aécio e o fim da aliança com o governo Michel Temer. Por sua vez, Tasso conteve a insatisfação e apenas cobrou “sinceridade” do correligionário.

Tasso também disse que boa parte dos tucanos foi pega de surpresa. O senador afirmou que divergências dentro do partido são normais, mas voltou a dizer que “o PSDB desses caras não é o meu PSDB”.

“Decisão correta” e “golpe rasteiro”

Integrante da ala aecista do partido, o mineiro Paulo Abi-Ackel avaliou que Aécio tomou a decisão correta. “A tradição no PSDB é que o presidente se licencie para dar espaço a uma disputa isonômica, sem suspeita de uso da máquina do partido para se reeleger”, disse ele à reportagem do Congresso em Foco.

Apesar das duras críticas feitas pelo colega Daniel Coelho (PE) logo após a destituição de Tasso, afirmando que Goldman fazia parte de um “golpe rasteiro” planejado por Aécio e Temer contra o senador cearense, Abi-Ackel avaliou que Aécio escolheu o único vice-presidente do partido que “permanecia neutro”, sem ter declarado apoio a nenhum dos candidatos.

Coelho afirmou em discurso inflamado, poucos minutos após o anúncio, que “rasgaram e jogaram no lixo a história do PSDB. Tenho certeza de que vai haver resistência interna e externa!”. Ele é um dos principais defensores do desembarque do governo Temer, e disse ainda que o presidente de honra do partido, Fernando Henrique Cardoso, estava “perplexo” com a intervenção de Aécio.

 

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