Conselho de Ética da Câmara arquiva processos contra deputado da “tatuagem”

Reprodução/Facebook

Wladimir foi acusado de assédio à jornalista Basília Rodrigues, da rádio CBN. Relator do caso, Laerte Bessa mudou de voto e processo foi arquivado

 

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados arquivou dois processos contra o deputado Wladimir Costa (SD-PA) por assédio. O Conselho acatou dois pareceres favoráveis ao deputado que “tatuou” o nome de Temer no ombro na tarde desta terça-feira (5). Wladimir era acusado de divulgar supostas fotos íntimas da filha da deputada Maria do Rosário (PT-RS) e de assediar uma das repórteres da rádio CNB, Basília Rodrigues. Ele negava ambas as acusações. No caso que coube ao deputado João Marcelo Souza (PMDB-MA) relatar, a recomendação de arquivamento foi aprovada por nove votos a quatro. Já a representação relatada por Laerte Bessa (PR-DF), que mudou de posição em favor de Wladimir, foi arquivada por oito votos a quatro.

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No caso do assédio à repórter, o relator do processo, Laerte Bessa havia recomendado o prosseguimento da denúncia na primeira versão de seu relatório, apresentado no início de novembro. Hoje, o deputado mudou o entendimento e recomendou o arquivamento.

Em julho, quando o deputado tatuou “Temer” no ombro com tinta removível, a repórter da CBN pediu que Wladimir mostrasse a tatuagem, ao que o deputado respondeu, na frente de várias outras pessoas: “Para você, só se for de corpo inteiro”. Ao tentar se defender nas redes após a declaração, o deputado afirmou que a repórter não despertaria desejo por que “foge totalmente dos padrões estéticos”.

Na tarde de hoje (terça, 5), ao se defender, ele afirmou que “não houve má-fé, não ousaria desrespeitar” e voltou a afirmar que só mostra a tatuagem se for “de corpo inteiro”. “E quem quiser ver a tatuagem do Wlad, eu mostro, mas só mostro se for de corpo inteiro, não tem outra tatuagem para mostrar”, declarou o parlamentar.

Veja a sessão do Conselho de Ética (e o que disse Wladimir, a partir de 1:10:15):

 

Ao se defender da acusação de ter compartilhado fotos da filha de Maria do Rosário, ele afirmou que o número que teria disseminado as fotos não pertencia a ele. As imagens foram compartilhadas no fim de agosto e, para se explicar, o deputado apresentou documento da operadora afirmando que o número não é dele.

O documento, entretanto, é datado de dois meses após a divulgação das fotos. Ele voltou a negar ser responsável pelos compartilhamentos e que a operadora se recusa a revelar o dono da linha, uma vez quer a informação é sigilosa.

Réu

Membro do chamado baixo clero, grupo de parlamentares sem muito poder de decisão, o deputado virou destaque nos últimos meses por ter tatuado o nome do presidente Michel Temer em seu ombro. Mas não é só o perfil de Wladimir que o põe no noticiário em situação negativa. Ele é alvo de pedido de condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) por peculato (apropriação, por parte de um funcionário público, de um bem a que ele tenha acesso por causa do cargo que ocupa).

Wladimir Costa é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter ficado com dinheiro recebido como salário por servidores “fantasmas” de seu gabinete. O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot reiterou o pedido de condenação em 28 de agosto. Curiosamente, o mesmo dia em que Wladimir disse ter feito a tatuagem. Cabe agora a manifestação final da defesa para que os ministros julguem o parlamentar.

Como mostra a nova edição da Revista Congresso em Foco, o deputado paraense é réu em duas ações penais (528 e 964) e investigado em dois inquéritos, por peculato, tráfico de influência, crime contra a liberdade pessoal e ameaça.

 

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