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Chapa Joaquim Barbosa-Marina: jogo começando para valer

"Nos grupos internos da Rede é muito forte a defesa de uma chapa Joaquim-Marina. A Rede, com apenas dois deputados e sem nenhuma estrutura nacional, está inviabilizada, não tem como sustentar uma candidatura presidencial"

Treino é treino, jogo é jogo. Com o período de troca partidária encerrado no último sábado (7), o jogo real vai se delineando. Até então, os especialistas vinham definindo o momento como fase de treinos. Muita especulação, muita experimentação, fumaça pra todo lado, mas nada real. A partir de agora iniciaremos nova fase.

Em entrevista ao apresentador Datena na Bandnews, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, confirmou o que já vinha sendo ventilado. Na ocasião, o PSB aguardava apenas o sim de Joaquim Barbosa para anunciar sua candidatura ao Planalto. A filiação foi confirmada na sexta-feira (6).

Nos grupos internos da Rede é muito forte a defesa de uma chapa Joaquim-Marina. A Rede, com apenas dois deputados e sem nenhuma estrutura nacional, está inviabilizada, não tem como sustentar uma candidatura presidencial. A união ao PSB significaria a construção de uma chapa forte e o renascimento da Rede. Faz todo sentido.

Joaquim é o menino negro e pobre que venceu na vida. Estudou, passou no concurso para o Ministério Público e chegou ao Supremo Tribunal Federal pelas mãos de Frei Beto. Foi contra o impeachment de Dilma. É a imagem do menino pobre que venceu pelo seu esforço, pela meritocracia. Tem sua imagem colada ao combate à corrupção. Foi implacável no julgamento do Mensalão. Encarna a negação da política, um juiz sério e honesto contra a bandalheira dos políticos tradicionais.

Marina é a menina pobre do Acre que ganhou o mundo. A seringueira parceira de Chico Mendes das causas sociais e ambientais. Assim como Joaquim encarna a imagem da superação. Criou a Rede no espírito de negação da política tradicional. Não teve força para botar seu projeto de pé sozinha.

Justiça, combate à corrupção, negação da política, bandeiras ambientais, ecológicas e multiculturalismo. Sem fazer juízo de valor, é preciso constatar: se confirmada será uma chapa forte.

Dialoga muito com o momento político que estamos vivendo. São dois outsiders, é difícil imaginar qualquer um dos dois dialogando com o Congresso Nacional, construindo uma base de sustentação, mas é bom não subestimá-los. Estarão no páreo pra valer.

Se confirmado o movimento, estaremos diante da primeira grande mexida de pedras no jogo real. Forçará outros movimentos e composições. Muita coisa ainda vai acontecer até junho, mas parece que o jogo está começando pra valer.

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Sobre o autor

Ricardo Cappelli

Ricardo Cappelli

Jornalista, especializado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi secretário nacional de Esporte Educacional e de Incentivo ao Esporte nos governos Lula e Dilma. Ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), é tricolor e Vila Isabel de coração. Exerce atualmente o cargo de secretário chefe da representação no DF do governo do Maranhão

Outros textos de Ricardo Cappelli.

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