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Brigadeiro, o doce-sonho das festas infantis

“A receita virou um clássico mas o militar Eduardo Gomes perdeu a eleição”

Outubro é o mês de comemoração do Dia da Criança. No âmbito da gastronomia, é um bom momento para a gente refletir sobre a magia de sabores e riquezas gustativas de um símbolo da culinária brasileira associado à infância: o brigadeiro. É o nosso mais festejado docinho-mãe, quitute que não pode faltar em nenhum aniversário infantil.

Crescemos e vamos aprimorando o paladar, agregando temperos e combinações de ingredientes de origens variadas, mas não tenham dúvidas, queridos leitores: o brigadeiro continua bem no centro de nosso coração-culinário, majestoso, intacto na nossa memória gustativa.

Sábado passado, numa festa de aniversário da família, reencontrei as várias espécies da doçaria infantil. Logo ao entrar no apartamento, as crianças ouviram da aniversariante-anfitriã o salvo-conduto do prazer: “Os docinhos estão liberados!” Sorrisos se abriram e os pequenos passaram a dar giros em torno da mesa, alegres com a liberdade. Os pais avisavam, pedagógicos: “Salgados primeiro!”, ante os olhares desanimados dos baixinhos.

Havia várias iguarias dispostas na mesa: quiches, tortas salgadas, saladas diversas e refrescantes, bebidinhas geladas para todos os gostos, mas os docinhos da infância eram o alvo predileto dos olhares gulosos das crianças e dos adultos. Confesso que também pequei, mas o pecadinho da gula, por vezes, pode ser bem compensador.

Reprodução

"O mais festejado docinho-mãe, quitute que não pode faltar em nenhum aniversário infantil"

Tais pensamentos me conduziram à conclusão de que, adultos, muitos de nossos prazeres gastronômicos são meras releituras daqueles que experimentamos na infância, quando chegávamos nas festas de aniversário e só queríamos ouvir o comando libertário e a permissão para comer os tão esperados brigadeiros.

Os ingredientes desse campeão de festas infantis brasileiras são leite condensado, chocolate em pó, manteiga e chocolate granulado para a cobertura.

A origem do docinho é associada ao brigadeiro (aqui a patente militar) Eduardo Gomes, que se candidatou à presidência pela UDN contra Eurico Gaspar Dutra, em 1946.

O candidato conquistou fãs no Pacaembu, bairro de São Paulo, que trataram de organizar festas para a candidatura e costumavam preparar o doce para arrecadar recursos para a campanha.

Uma versão similar diz que as mulheres cariocas adeptas da candidatura do militar também preparavam os doces “negrinhos”, que vendiam para angariar fundos. Como as festas eram muito disputadas pela população, logo passou a ser comum o convite para irem saborear o “docinho do brigadeiro”.

A receita virou um clássico mas o brigadeiro Eduardo Gomes perdeu a eleição.

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Sobre o autor

Miriam Moura

Miriam Moura

Miriam Moura é jornalista, com larga experiência na cobertura política em Brasília. Trabalhou em jornais como O Globo, O Estado de S. Paulo e foi assessora de Comunicação em tribunais superiores, como STJ, TST e CJF. É diretora de Consultoria e Treinamentos na Oficina da Palavra e In Press Oficina.

Outros textos de Miriam Moura.

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