Domingo, 23 de Abril de 2017

Colunistas

Brasil precisará de UTIs para salvar reputações destruídas na Lava Jato

“O escândalo que está sendo revelado pela ‘delação do fim do mundo’ pode ser comparado a um câncer, que atingiu o estágio de metástase. Muitas lideranças estão com suas reputações em estado terminal”, observam colunistas. Confira mais destaques do noticiário

 

Brasil precisará de UTIs para salvar reputações destruídas na Lava-Jato

Os políticos sabem o enorme efeito devastador que a inclusão de seus nomes na “lista Fachin” representa em suas reputações. A imagem, de pessoas e marcas corporativas, é seu ativo intangível de maior valor. Para a construção de uma boa reputação, cada vez mais é necessário agregar valores como boa governança, ética e transparência.

Segundo o Reputation Instititute, que pesquisa a reputação de milhares de empresas em todo o mundo, conquistam o prêmio de boa reputação as companhias que respeitam seus públicos, que agem de forma clara e que se antecipam às demandas de órgãos reguladores, da imprensa e da própria sociedade.

São artigos em falta nos políticos que prometeram mundos e fundos para ganhar votos de eleitores, mas não foram transparentes na arrecadação de recursos para custear campanhas eleitorais. Muitos foram às ruas protestar contra a corrupção, vestiram-se de verde e amarelo e gritaram slogans de um novo Brasil, “pela família, pela pátria”.

Agora o refrão mudou e todos negam irregularidades, dizem que não conhecem o delator A, que nunca estiveram com o delator B e que jamais pediram dinheiro. Passarão a carregar um aposto ao lado de seus nomes. Em gramática, aposto é o termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal para explicá-lo ou especificá-lo, e vem entre vírgulas.

Assim, políticos e autoridades que entraram na lista passam a ter a expressão “investigado no Supremo” como um aposto quase obrigatório até que se cumpra a fase dos inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin. Depois, se foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República, e se o STF aceitar a denúncia, passam à condição de réus e serão julgados na última instância do Judiciário.

A abertura de inquérito não torna ninguém culpado. É o início de um processo de investigação. Mas a divulgação e a massificação de informações já torna todos culpados.

O efeito em suas reputações não poderia ser mais nefasto. Mesmo assim, investigados e governo repetiram à imprensa que o ritmo dos trabalhos seguirá normal. Um dos políticos com o maior número de inquéritos abertos no Supremo, cinco, o líder do governo e presidente do PMDB, senador Romero Jucá (AP), afirmou que “o governo vai continuar no mesmo ritmo, trabalhando normalmente” e que os ministros que respondem a inquéritos “vão apresentar suas defesas ao Judiciário”. O senador esqueceu que os políticos precisam, em primeiro lugar, de transparência e devem explicações à sociedade sobre os fatos que estão sob investigação.

O país sentirá nos próximos meses e anos os efeitos avassaladores das investigações de corrupção. O escândalo que está sendo revelado pela “delação do fim do mundo” pode ser comparado a um câncer, que atingiu o estágio de metástase. Muitas lideranças estão com suas reputações em estado terminal.

A divulgação da lista de investigados no STF marca apenas o início da doença grave nos valores éticos que atingiu o mundo da política. O Brasil precisará funcionar como um enorme hospital-geral de reputações destruídas, que precisam de tratamento em unidades de terapia intensiva, sem qualquer certeza de sucesso.

 

Passageiro é arrastado de voo da United Airlines

As imagens do passageiro da United Airlines sendo arrastado à força para fora do avião porque o voo estava com “overbooking” provocaram indignação e muitas reações revoltadas nas redes sociais. Os usuários acharam muito desrespeito da companhia aérea vender mais lugares acima da capacidade da aeronave e ainda tratar desta forma um cliente, que pagou pela passagem.

A truculência da United teve um reflexo imediato: a companhia perdeu US$ 1 bilhão em valor no mercado na abertura da Bolsa. Além da atitude completamente errada, o CEO da empresa chamou o cliente de “beligerante” e elogiou os empregados que o arrastaram do avião. O episódio bombou nas redes sociais, foi para o trend topics” do Twitter e teve mais de 100 milhões de curtidas no Weibo, o Twitter chinês.
O especialista em Gestão de Crises e Comunicação, João José Forni, pergunta: “será que eles imaginavam que uma intervenção tão desastrosa não teria repercussão na mídia e nas redes sociais?”

O que muitos dos usuários que compartilharam vídeo e imagem da cena talvez não saibam é que não é a primeira vez que a companhia aérea protagoniza episódios assim.

Em 2008, a United já tinha amargado críticas nas redes sociais por conta de um músico que teve seu violão quebrado num voo da companhia e publicou uma série de vídeos no Youtube – “United Breaks Guitars”. O vídeo virou hit e teve mais de 5 milhões de acesso e o compositor canadense Dave Carroll virou fenômeno instantâneo. Ele resolveu contar seu drama em busca de uma compensação da empresa.

Sobre o caso do passageiro tirado para fora do avião, Forni lembra que existe um princípio de “Crisis Management” que preconiza que as decisões que uma organização toma nos primeiros minutos após o desencadear de uma crise podem determinar definitivamente o sucesso ou o fracasso de como essa crise será administrada daí para frente.

“Foi aí que a United errou. Errou em tudo, na ação e na comunicação. E agora está tentando consertar”, avalia. O CEO da empresa, Oscar Munoz, divulgou uma nova nota na terça-feira, admitindo o erro e lamentando tudo o que aconteceu. Prometeu corrigir. Forni acrescenta: “Pena que que demorou a cair a ficha. Por mais que se esforce, o estrago já está feito e o episódio certamente será um case clássico de como não conduzir uma crise”.

Facebook lança sistema para detectar notícias falsas

Verdadeiro ou Falso? O Facebook lança ferramenta para detectar notícias falsas entre os milhões de posts que são publicados diariamente na rede social. Segundo a plataforma, o sistema está previsto para rodar a partir de 14 de abril. A ideia é funcionar como uma espécie de filtro contra boatos, notícias e publicidades falsas, alertando o usuário da veracidade duvidosa do conteúdo.

A princípio, a ferramenta estará ativa em 14 países, incluindo o Brasil, e os usuários serão envolvidos nessa dinâmica, sendo possível denunciar informações suspeitas por meio de um novo botão para marcar posts duvidosos. O Facebook também afirma que não hesitará em cancelar contas que sejam fontes de conteúdo falso. Ao agregar princípios do jornalismo, as mídias sociais esperam atingir níveis mais elevados de credibilidade.

 

 

 

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