Bolsonaro critica intervenção militar no Rio: “Bando de vagabundos”

Reserva: na Câmara, Jair Bolsonaro é uma espécie de porta-voz de militares radicais e faz do Congresso seu QG ideológico

 

Réu por incitação ao crime de estupro e injúria, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse nesta sexta-feira (16) que o modelo de intervenção federal determinada por Michel Temer na segurança pública do Rio de Janeiro, formalizada em decreto no início da tarde, se presta a “servir esse bando de vagabundos” – ou seja, aos membros do governo. Pré-candidato à Presidência da República, o parlamentar reclamou do fato que a decisão foi tomada “dentro de um gabinete” e não consultou as Forças Armadas.

“É uma intervenção decidida dentro de um gabinete, sem discussão com as Forças Armadas. Nosso lado não está satisfeito. Estamos aqui para servir à pátria, não para servir esse bando de vagabundos”, disse o deputado ao site O Antagonista.

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Espécie de porta-voz de militares radiciais na Câmara e defensor do regime militar, Bolsonaro também se queixou da autorização para que os militares, que se instalarão em pontos de estratégicos do Rio de Janeiro por tempo indeterminado, atuem sem que lhes seja garantido o “excludente de ilicitude” – uma salvaguarda jurídica que garante a membros das Forças Armadas a inimputabilidade em caso de mortes por eles provocadas em combate.

“No Haiti, você podia atirar. Aqui como vai ser?”, indagou.

“Todo mundo diz que estamos em guerra. O Rio está em guerra. Mas que guerra é essa que só um lado pode atirar? Qualquer um do lado de cá, que tome uma medida de força, vai ter problemas depois na Justiça. Seja o policial militar, o civil ou o rodoviário federal”, acrescentou o presidenciável, para quem “o problema da segurança no Rio não vai ser resolvido por decreto presidencial, assinando um papel”.

 

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Deputado desanca intervenção de Temer: “Que guerra é essa que só um lado pode atirar?”

 

A reportagem do Congresso em Foco, por meio de contato com diversos assessores, tentou falar com o deputado a respeito da intervenção federal no Rio de Janeiro – a primeira desde o fim da última ditadura militar no Brasil (1964-1985). Mas, segundo seus assessores, a orientação é a de que o deputado, ao menos por enquanto, vai se limitar à entrevista ao O Antagonista.

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“Pressa e urgência”

A intervenção é uma resposta dos governos federal e estadual à escalada da violência no Rio. Durante o carnaval, foram registrados diversos arrastões, saque a lojas, assaltos em blocos carnavalescos, entre outros crimes. O general Walter Souza Braga Netto, chefe do Comando Militar do Leste, será o interventor e ficará diretamente subordinado a Temer.

“Não estávamos preparados. Houve uma falha nos dois primeiros dias, e depois a gente reforçou aquele policiamento. Mas eu acho que houve um erro nosso”, disse o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, na última quarta-feira (14).

Pezão afirmou nesta sexta-feira (16), durante a cerimônia de assinatura do decreto, que o Rio de Janeiro “tem pressa e urgência” para resolver o grave crise de insegurança e violência no estado. Segundo o governador, apenas com as polícias Militar e Civil o estado não conseguiu “deter a guerra entre facções” agravada com a atuação de milícias no estado fluminense.

 

Veja o vídeo em que Bolsonaro defende a tortura:

 

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