Após quatro anos afastado, Demóstenes Torres volta ao Ministério Público e já entra com pedido de 60 dias de férias

Waldemir Barreto/Agência Senado

Senador foi cassado em 2012 depois do voto de 56 colegas

 

 

Ana Pompeu
Especial para o Congresso em Foco

O ex-senador Demóstenes Torres reassumiu, na última quinta-feira (29), o cargo de procurador de Justiça do Ministério Público de Goiás, em Goiânia, depois de quase cinco anos afastado, e entrou automaticamente em férias. A convocação foi feita pelo procurador Marcos de Abreu e Silva, em ato publicado no Diário Oficial do MP-GO. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, a decisão foi feita em cumprimento à determinação do Tribunal de Justiça de Goiás que revogou a liminar que o mantinha impedido de exercer a função. Como mostrou o Congresso em Foco na semana passada, desde 2012 ele recebeu R$ 2,6 milhões, entre salários e outras vantagens do Ministério Público, sem trabalhar.

Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) o livrou das ações penais do caso Cachoeira, ao invalidar as gravações das operações Monte Carlo e Vegas, Demóstenes se articula para retomar a vida pública. No início de junho, o TJ seguiu o entendimento da Suprema Corte quanto às gravações, impossibilitando, assim, que ele fosse responsabilizado pelos crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa (patrocínio de interesse privado perante a administração pública), a ele atribuídos pelo MP.

Marcos de Abreu e Silva é vice-decano da Procuradoria. O procurador-geral de Justiça do Estado de Goiás, Benedito Torres, é irmão de Demóstenes. Ainda em 2012, quando das denúncias contra Demóstenes, Benedito se declarou suspeito para estar à frente das decisões referentes ao irmão. Na ausência do decano, Marcos de Abreu e Silva proferiu o ato determinando o retorno de Demóstenes.

O ex-líder do DEM no Senado entrou com pedido de férias assim que publicada a decisão do TJ. O ato do MP que o convocou já concedeu 60 dias de férias ao mesmo tempo. Sobre uma possível aposentadoria de Demóstenes, o vice-decano declarou, por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público, que o pedido ainda não foi formalizado. “As questões relativas à aposentadoria e seus efeitos somente poderão ser analisadas a partir do protocolo do respectivo pedido do requerente”, informou, em resposta aos questionamentos de valores de indenizações.

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