Aliás, como vai Brasília?

Muito mal, dizem os moradores e eleitores da Capital Federal. À época das eleições, após o desastroso governo de Agnelo Queiroz, imaginávamos que poderíamos escolher um candidato que realmente representasse o brasiliense.

A disputa feroz e repleta de denúncias nos levou a optar por aquele que, mesmo embaralhado com o Partido dos Trabalhadores, vivia na cidade desde a infância e parecia ser o melhor. Menino criado debaixo dos pilotis das quadras de Lúcio Costa, jogando futebol no gramado, era perseguido por fiscais que o fazia correr mais do que o Bolt.

Frequentador das quebradas e botecos, o menino virou homem e se fez político. Deputado distrital, federal, senador e governador, Rodrigo fez carreira com votos não se sabe bem de onde procedem, mas, afinal, com jeito de bom moço, conseguiu fazer uma das mais rápidas e transparentes carreiras políticas da história de Brasília. O fato é que o governador, com a ineficiência dos mais pueris personagens, exerce o seu mandato com se fosse invisível, pois raramente é visto nos locais que frequentava como brasiliense, divulgando suas idéias nas rodas de conversas com aliados e interesseiros.

O governo é tão ignorado pela população que, para divulgar seus poucos feitos, convocou o mago Paulo Fona – que, com habilidade, transformou Roriz no adorado governador que fez de Brasília uma metrópole nunca antes imaginada por seus criadores.

Gustavo Gomes/Portal EBC

Brasília vai mal, lamenta colunista

A nossa política destacou-se, no início, por não estar envolvida com os “Anões do Orçamento”, como livre de corrupção. Afirmávamos de cabeça erguida que os corruptos vinham de fora. Triste destino este nosso: alguns dos eleitos se transformaram em meros representantes de corporações, instituições ou empresas, daí a composição parlamentar que é eleita quase totalmente por funcionários públicos de várias áreas, religiosos, empresários ligados a prestadores de serviços ao governo, e pilantras de várias espécies que enchem os bolsos com dinheiro desviado do erário.

 

Os governadores eleitos democraticamente nunca apresentaram ao eleitor um “Plano de Metas” como o fez Juscelino Kubitscheck, que construiu Brasília em pouco mais de três anos e a inaugurou na data prevista. Desde então, a maioria dos eleitores escolheram nossos dirigentes pelo carisma, promessas, mentiras, desfaçatez, em troca de lote ou, simplesmente dinheiro.

É chegada a hora dos brasilienses se organizarem para exigir dos candidatos programas viáveis de serem executados, dentro da lei e em benefício da população.

É chegada a hora de olhar os candidatos nos olhos e não escolhê-los pelo melhor programa de televisão ou fala descontraída e falsa. Dados de pesquisas mostram que nas regiões administrativas poucos foram os eleitos com votação expressiva da própria cidade. É péssimo para os eleitores não buscarem nomes de consenso para exigir dos partidos políticos legendas para disputar as eleições que estão muito próximas. Num piscar de olhos a campanha irá começar.

Escolham lideranças, examinem as suas vidas pregressas, compareçam às reuniões mesmo sem serem convidados, façam de suas ruas uma fonte de cidadania; liderem, ou sejam bons liderados. É assim que se constrói um país, um estado, um município; uma eficiente administração regional.

Quanto ao governo que se esvai, é de se lamentar mais uma vez o erro nas urnas e tocar a vida. De concreto sobre as ações do governador Rodrigo posso dizer que vi uma ação me chamou a atenção: durante anos, talvez mais de dez, na curva em frente a Casa do Candango, havia um protetor retorcido depois de batidas de veículos. Até parei para fotografar; o protetor estava restaurado. De resto, o governo, até quando faz coisas boas, estimula reações contrariadas da população. Aliás, nunca se viu governo tão ruim!

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