Adasa suspende tarifa de contingência em pleno período de seca no DF

Agência reguladora decidiu deixar de realizar a cobrança a partir de 1º de junho. Órgão informou ainda que o aumento do racionamento para dois dias está descartado. No entanto, medidas adicionais poderão ser aplicadas se metas não forem atingidas

Agência Brasil

Apesar da suspensão da tarifa, racionamento poderá durar dois dias caso metas não sejam cumpridas

 

Em meio à maior crise hídrica do Distrito Federal, a Agência Reguladora de Água, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) anunciou a suspensão da cobrança da tarifa de contingência. A partir do dia 1º de junho, as residências que consomem mais de 10 mil metros cúbicos, que eram penalizadas com elevação de até 40% sobre a conta de água, não mais sofrerão com a elevação no valor da conta.

De acordo com o diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles, a taxa adicional sobre o valor da água já gerou o efeito esperado. No entanto, ele alertou que caso haja necessidade, a cobrança poderá ser novamente implantada. Criada em outubro do ano passado e questionada diversas vezes na Justiça, a tarifa arrecadou pouco mais de R$ 40 milhões, dinheiro que será usado em obras que levem ao aumento da captação de água ou à mitigação dos danos ambientais.

“A situação é muito grave, mas nós estamos em uma situação diferente do ano passado. [...] As outras medidas que estamos tomando equilibrarão o consumo”, justificou Salles, durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (15) em Brasília, na sede da Adasa.

Junto com a decisão de suspender a taxa de contingência, o diretor-presidente da anunciou uma curva de acompanhamento do volume útil dos reservatórios. Neste caso, serão realizadas reuniões conjuntas entre a Adasa, Caesb e o GDF para avaliar o cumprimento de metas semanais. Dessas reuniões, de acordo com o andamento dos trabalhos, poderão surgir novas medidas.

Racionamento

De acordo com Salles, o aumento de dois dias de racionamento não está descartado, mas continua fora dos planos nesse primeiro momento. “Se a gente não chegar na meta a gente pode chegar a dois dias de racionamento”, ressaltou. Desde o dia 17 de janeiro, regiões administrativas abastecidas pelo Reservatório do Descoberto sofrem com o racionamento de água por um período de 24 horas.

 

Pedro Ventura/Agência Brasília

Situação hídrica ainda “muito grave”, diz Paulo Salles, durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (15)

 

Poupadas no primeiro momento, as regiões abastecidas pelo sistema Santa Maria/Torto, que englobam áreas nobres de Brasília, passaram a conviver com o racionamento no final de fevereiro. A polêmica crise hídrica no Distrito Federal promete causar ainda mais transtornos nos próximos meses com a chegada da seca.

No dia 4 de abril, o MPDFT enviou documento com 64 sugestões ao Governo do Distrito Federal, à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), à Agência Reguladora de Águas do Distrito Federal (Adasa) e a outros órgãos públicos do DF. Entre as medidas sugeridas estão a ampliação do racionamento para dois dias, caso as obras de captação do Bananal e do Lago Paranoá não fiquem prontas até setembro de 2017 – conclusão das obras e funcionamento dos sistemas.

Em 2016, nessa mesma época do ano, o volume do Descoberto estava em 89,2%. Já nesta segunda-feira (15), o volume estava em 55,7%. No caso do volume do Reservatório Santa Maria, em 2016 estava com 74,7%. Em maio deste ano, o volume é de 53,9%. Pelo menos duas obras estão com previsão para terminar em setembro deste ano. A captação do Lago Paranoá e a implantação da captação no Córrego Bananal.

O diretor-presidente explicou ainda que o reajuste tarifário anual, que entrará em vigor a partir de 1º de junho, não está relacionado com o racionamento e sim com a atualização da tarifa, que é vigente pelo prazo de 1 ano. O reajuste deste ano ficou em 3,1%.

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