PT e PMDB elegem quase metade dos senadores

Edson Sardinha Se o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teve motivos ontem (3) para comemorar sua passagem para o segundo turno, ganhou também razões para se preocupar. O novo Senado se revela muito mais favorável à sua adversária, a …

PT e PMDB fizeram quase metade das cadeiras que estavam em disputa no Senado

PT e PMDB fizeram quase metade das cadeiras que estavam em disputa no Senado

Edson Sardinha


Se o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teve motivos ontem (3) para comemorar sua passagem para o segundo turno, ganhou também razões para se preocupar. O novo Senado se revela muito mais favorável à sua adversária, a petista Dilma Rousseff. Na próxima legislatura, os partidos que compõem a base governista vão ocupar pelo menos dez cadeiras a mais. Esse é o número de assentos que as legendas que apoiam a candidatura de José Serra perderam nas eleições desse domingo.

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O PT de Dilma e o PMDB de Michel Temer, seu vice, foram os grandes vencedores na votação para o Senado. As duas siglas conquistaram praticamente metade das 54 vagas em disputa. A oposição elegeu apenas nove, ou seja, 16%.

Os peemedebistas elegeram 14 nomes, e os petistas, 11. Mas as duas legendas podem ter até mais cinco senadores, dependendo da decisão da Justiça sobre a validade da Lei da Ficha Limpa nestas eleições.


O PSDB e o DEM, hoje a segunda e a terceira maior bancada, elegeram apenas sete senadores e viram algumas de suas principais lideranças serem barradas nas urnas. Os senadores Marco Maciel (DEM-PE), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) não passaram da terceira colocação. O PSDB fez cinco senadores, entre eles, o ex-governador Aécio Neves (MG) e o ex-deputado Aloysio Nunes Ferreira (SP). O DEM não elegeu nenhuma cara nova. Renovou o mandato de dois senadores: José Agripino (RN) e Demóstenes Torres (GO).

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Outros oito partidos da atual base governista elegeram 16 senadores. O PP emplacou quatro; o PR, o PSB e o PP, três nomes cada. O PDT elegeu dois parlamentares. O PCdoB, o PRB, o PSC e o PTB fizeram, juntos, quatro senadores.  O Psol, que concorreu à Presidência com Plínio de Arruda Sampaio, o PMN e o PPS, que fazem parte da aliança de Serra, também conquistaram uma cadeira cada. O Psol ainda pode ganhar novo assento, dependendo da decisão da Justiça sobre as candidaturas de Jader Barbalho (PMDB-PA) e Paulo Rocha (PT-PA), barrados pela ficha limpa.


Das 54 vagas em disputa, pelo menos 16 serão ocupadas por senadores reeleitos. Entre eles, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). Outros quatro senadores vão renunciar ao Senado até o final do ano porque se elegeram governadores: Rosalba Ciarlini (DEM), no Rio Grande do Norte; Renato Casagrande (PSB), no Espírito Santo; Raimundo Colombo (DEM) e Tião Viana (PT), no Acre.

Quando são considerados os eleitos e reeleitos ontem, os senadores com mandato até 2015 e os suplentes que assumirão com a saída dos parlamentares que se elegeram governadores, o que se tem é uma supremacia de peemedebistas e petistas. O PMDB seguirá com pelo menos as atuais 18 cadeiras, o que lhe garante o posto de maior bancada. O PT, hoje quarta maior força, com oito nomes, passará a ser a segunda mais numerosa composição do Senado, com 14 representantes. Um crescimento de 75%. Os tucanos, que ocupam atualmente 15 assentos, passarão a se dividir em 11 cadeiras. O DEM, hoje com 13 senadores, será reduzido a seis nomes. Um terço dos 18 nomes que o partido elegeu em 2006.


Outros dois partidos também terão menos representantes na Casa: o PDT e o PTB. A bancada pedetista diminuirá de seis para quatro, e a petebista, de sete para seis. Por outro lado, a do PP saltará de um para quatro, mesmo número da bancada do PSB, hoje de três senadores. O PCdoB também ganhará uma segunda cadeira, com Vanessa Grazziotin (AM).
 
No momento, oito candidatos ainda vivem a angústia de conquistar uma vaga. Jader Barbalho e Paulo Rocha (PT) no Pará; João Capiberibe (PSB), no Amapá, e Cássio Cunha Lima (PSDB), na Paraíba, foram barrados com base na Lei da Ficha Limpa, que veda a candidatura de políticos com condenação em órgão colegiado ou que renunciaram para escapar da cassação. Os votos dados a esses candidatos foram considerados nulos pela Justiça eleitoral. A situação deles será decidida pela Justiça, que analisará seus respectivos recursos e a validade da aplicação da lei nas eleições deste ano. Por isso, mesmo tendo ficado em segundo lugar, Marinor Brito (Psol-PA), Gilvam Borges (PMDB-AP) e Wilson Santiago (PMDB-PB) ainda podem, em tese, não serem empossados. A senadora Fátima Cleide (PT-RO), terceira colocada, pode herdar a vaga do eleito Ivo Cassol (PP-RO) caso a Justiça também casse a candidatura do ex-governador com base na nova lei. Cassol conseguiu uma liminar que garantiu que seus votos fossem computados. Foi o segundo mais votado no estado.

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